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15 de jul. de 2012

Vídeo Quirguistão / Kyrgyzstan!




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13 de mai. de 2012

Isolados no Quirguistão, acompanhados no Uzbequistão


Estamos em Tashkent – capital do Uzbequistão!
Nossa jornada segue após a exótica e surpreendente passagem pelo Quirguistão. De Bishkek, capital do Quirguistão, seguimos em direção ao famoso Lago Issyk-Kul, de águas salgadas e não congeláveis, o segundo maior lago alpino do mundo, ficando atrás somente do Lago Titicaca no Peru.
Nossa passagem por aqui não tem sido solitária, cada vez mais as pessoas têm participado da nossa longa história. De Bishkek a Tashkent estivemos e ainda estamos na companhia de muitas pessoas para tomar uma xícara de chá e ouvir - de onde vocês são? (”At cuda?”), se somos casados, se temos filhos, etc. e também para conversar sobre coisas interessantes, filosofar, pensar sobre cultura, sobre a vida, política. Recebemos muitos convites para dormir e comer em suas casas. Isto tem sido uma experiência muito rica para nós!




O Quirguistão nos tirou o fôlego – pelas quase intermináveis montanhas e pelas paisagens sensacionais! Tivemos até um surpreendente encontro com um brasileiro – Breno e sua companheira tcheca na cidade de Toktogul. Bebemos muito chalap – bebida derivada do leite com gás e sal e comemos muito pão, macarrão e embutidos, além de banhos no rio. Muitos momentos bons, como também momentos difíceis, como a pedalada até o topo do Passo Ala Bel – 3.175 m. A quase 2.400 m de altitude já nevava e próximo aos 2.000 m pegamos uma dolorida chuva de pedras de gelo. Bom, depois da subida vem a descida, como já esperávamos: fria, muito fria, no início com neve e depois chuva. Tivemos um momento raro na presença de uma grande águia que circulava pela montanha – o Quirguistão também é bem conhecido pelas exóticas águias.

As cidades e vilarejos do Quirguistão eram menores do que imaginávamos, em alguns vilarejos não conseguíamos encontrar nem um pequeno mercado, mas como muitas vezes estocávamos comida conseguíamos nos virar bem com pães, embutidos de carne, margarina, macarrão, tialap, refrigerante de pera local, leite condensado, uva passa e bolachas, pensamos em carregar ovos para fritar, mas as estradas de terra e pedra por onde passamos dificultava, pois corríamos o risco de perder os ovos por quebrarem no caminho.
Bem, o restante sobre o Quirguistão deixaremos para as fotos, as imagens falam por si! A fronteira com o Uzbequistão passando por Uchkurgan-Uzbequistão foi vazia (depois descobrimos que ela não está aberta para pessoas do Uzbequistão atravessá-la e já a primeira pessoa que encontramos na beira da estrada pediu para tirar foto conosco, aliás, fotos não faltaram, algumas vezes tiravam fotos e antes de partirem nos presenteavam com um pão, água. Aconteceu (e não foi somente uma vez), de diminuírem a velocidade de seus carros para nos perguntar de onde éramos ou simplesmente encostavam o carro para tirar fotos, ficando surpresos quando falávamos que éramos brasileiros, e diziam: “football...kaka...ronaldo...pelé” e as vezes não sabiam se o Maradona e Messi eram brasileiro (rs). Até participamos de uma festa de casamento típica do Uzbequistão a convite da Gulnora e sua adorável família! Muita dança, comidas – o famoso e tradicional plov uzbeq, pastéis de carne, doces, chá verde, discurso e muita curiosidade de todos para saber sobre nós. Fotos? Também não faltaram!
Na saída de Torakurgan – cidade do casório, saímos caminhando pelo vilarejo junto com Gulnora e fomos rodeados por muitos, muitos curiosos, tantos que a polícia teve que intervir, pois o trânsito estava impedido com tanta gente no meio da rua.


Diferente do Quirguistão, não está sendo fácil acampar no Uzbequistão, pois aqui é bem povoado! Normalmente pedimos para armar a barraca em suas varandas como fizemos numa comunidade agrícola próximo à cidade de Pop, montamos a barraca sob uma bela parreira de uva e na beira de um canal no qual nos banhamos. De manhã ganhamos iogurte feito na hora com leite da vaca dali mesmo e uma garrafa de chá preto. A partir dali era só diminuir as marchas da magrela para mais uma longa subida: 50 km até 2.200 m de altitude (e vejam só: estávamos a apenas 480 m de altitude). Chuva novamente, mas enfim subimos e descemos até certo ponto e fomos convidados por Tashtemer - pedagogo entusiasta com o povo e cultura islâmica e uzbeq para dormir em sua casa, conversamos (gesticulando e tentando falar algo em russo) bastante, jantamos e dormimos, dia seguinte foi a puxada final até Tashkent onde agora nos encontramos na companhia de Farhod, Rano, Azmat e Sardor (família de um coração gigante), mas antes de encontra-los via www.couchsurfing.org fomos convidados para passar uma noite na casa da família de Lola, sua filha Aziza e seu filho Sanjarbek, muito agradáveis e simpáticos! Banho quente e comida deliciosa!
Agora, aqui estamos em busca de novos caminhos!



Algumas cidades visitadas: Tokmok, Balikchy, Kochkor, Chaek, Sussamyr, Toktogul, Karakul, Tashkomur – Quirguistão; Uchkurgan, Namangam, Torakurgan, Chust, Angren, Tashkent – Uzbequistão.

Curiosidades:

- O povo uzbeq é muito curioso para conhecer estrangeiros;

- O povo uzbeq gosta muito de ajudar as pessoas e ser ajudado;

- O burro é muito utilizado no Quirguistão e Uzbequistão para o trabalho no campo e transporte, mas um burro bem mais peludo que no Brasil;

- Nos campos mais isolados ou mesmo nos vilarejos criam-se muitos carneiros e cabras e somente um pouco de vacas;

- Ouvimos, mas não conseguimos ver vários deles: pássaros diferentes do Brasil, um deles é o “Cuco”;

- No Quirguistão vimos muitos poços d’água na beira da estrada nos vilarejos. Muitas pessoas pegam essa água para beber e usar no dia-a-dia já que água encanada é difícil de encontrar;

- Os banheiros no Quirguistão e no Uzbequistão também são fora da casa – valas sem encanamento para o esgoto, em sua maioria, exceto nas capitais;

- Trocamos 40 dólares por Uzbek Som e recebemos um saco de dinheiro – a nota com maior valor por aqui equivale a 0,5 USD. Por isso é comum ver pessoas com sacos  e bolos de notas;

- Vimos os famosos nômades do Quirguistão já próximo a Toktogul em suas cabanas chamadas yurt.

Dicas:

- Pedalamos no Quirguistão no final de Abril e o clima estava agradável nos locais mais baixos (até 2.000m, mais ou menos), mas com chuva fraca em alguns locais. Na subida para o passo Ala-Bel (3.175m) pegamos chuva, chuva de gelo, neve e vento;


- Entramos no Uzbequistão por Uchkurgan, onde trocamos “Kyrg Som” por “Uzbek Som” por uma taxa muito mais vantajosa que a oferecida em Tashkent, onde eles não têm interesse pela moeda do Quirguistão. O local de troca é o mercado (bazar) da cidade e basta gesticular que quer trocar dinheiro. Não há local oficial para troca. A taxa de troca varia muito de cidade para cidade;

- Em Tashkent, os bancos trocam Dolar por Som por uma taxa muito pior que a oferecida nos bazares (“mercado negro”). Enquanto os bancos ofereciam 1.890 Som (valor próximo ao oficial) por 1 USD, o mercado negro oferecia 2.800. Não encontramos bancos vendendo dólares e o preço deste no “mercado negro” é alto;

- Hotéis 4 e 5 estrelas em Tashkent têm ATM Visa e Master, dos quais é possível sacar Som ou Dólar, além de oferecerem wifi livre no lobby – exemplos: Grand Mir e Intercontinental;

- Contatamos um rapaz, Philipp, que possui uma loja de reparo de bicicleta. Não sabemos quanto à qualidade do serviço, pois não usamos, mas achamos uma peça de bicicleta que precisávamos. Telefone: (+998) 91112344;


- A fronteira em Uchkurgan estava vazia e não tivemos problemas. Do lado do Quirguistão há apenas pequenos vilarejos rurais. Vimos um hotel a 5 km da fronteira, no Quirguistão. 


Vejam mais fotos nos álbuns Quirguistão e Uzbequistão.

19 de abr. de 2012

Entre plov, kalpak e kukuruza


De 05/04/2012 a 19/04/2012 - De Almaty, Cazaquistão, a Bishkek, Quirguistão

Uma postagem rápida, só para não ficar muito tempo sem dar o ar da graça! Apenas 3 dias de pedal e mais de uma semana de espera de vistos futuros. A questão de visto na Ásia Central é um tanto complexa, mas tem valido a pena, pois tudo tem sido muito diferente e interessante para nós.
A saída de Almaty me lembrou São Paulo às 6 da tarde, em véspera de feriado. Filas imensas de carros espremidos nas estreitas ruas da periferia da cidade. Nós éramos os mais velozes, mesmo com quilos de bagagem sobre duas rodas não motorizadas.
Apesar de estarmos a poucos quilômetros de distância do Quirguistão em Almaty, tivemos de percorrer mais de 200 km para entrar pela fronteira onde seria possível carimbar nossos passaportes. Pedalamos, então, sempre paralelo à fronteira, que é um belo conjunto de montanhas imensas cobertas de neve. Por isso, o clima parecia instável. Uma hora sol, pouco depois muitas nuvens e chuva, seguido por céu limpo e sol, e assim por diante. Nada preocupante, pois durante a hora que choveu, por sorte, estávamos passando por um dos pouquíssimos vilarejos e ficamos abrigados num ponto de ônibus coberto. Nesse meio tempo, observamos como é comum pegar carona aqui neste país. De um carro descia um cara que estava de carona, que sinaliza para outro carro e logo está de carona de novo. Vimos isso seguidas vezes. Em Almaty, idem, muitas pessoas pegando caronas em substituição aos taxis e ônibus.
Em uma noite, com céu instável e cara de chuva forte, pedimos para armar a barraca em uma pequena fazenda. Cederam um espaço para nós e tivemos tempo para observar a vida dos pastores, que levam ovelhas, vacas e cavalos para pastarem cedo nos campos imensos, quase a perder de vista, e no final do dia os recolhem, e assim fazem todo santo dia! Começamos, então, a filosofar: melhor viver na cidade ou ter vida de pastor? Não achamos resposta. Vamos seguir nossa viagem, continuar observando gente do mato e gente da cidade que a resposta vem sozinha. Na hora da partida, descobrimos que o pastor era da Mongólia, e vivia no Cazaquistão, mas a comunicação não avançou mais que isso. Nenhuma surpresa nisso.



Teve um dia em que começou a ventar muito, mas muito mesmo, e só agradecemos do vento ser a favor e não contra. Parecia que tinha trocado minha magrela por uma moto, pois nem precisava pedalar. Se continuasse assim chegaria ao Brasil em poucas semanas!
Paramos para almoçar em uma cidade muito pequena, mas muito mesmo, chamada Alga. Engraçado que nunca encontramos restaurantes na estrada e sempre almoçamos em pequenos mercados ou temos que comer o que estocamos, já que nem mercado vemos.
Fizemos uma onda na bela Alga e atraímos a atenção da molecada saindo da escola. Logo estávamos gesticulando e falando com um garoto fanático por futebol e com seus amigos, que chamaram uma professora poliglota, a Madame Cholpane, com quem arranhamos nosso francês. Deu para notar como todos ficam muito curiosos, pois logo mais pessoas se aproximaram e pediam para a Madame Cholpane traduzir suas perguntas.
Depois desse social todo, continuamos nosso caminho “ventoso” e chegamos à fronteira sem poder passar para o outro lado, pois nosso visto iniciaria no dia seguinte apenas. Já com experiências desastrosas de tempos passados, fomos pedir para montar a barraca em algum lugar protegido da ventania. O simpático fazendeiro nos convidou para dormir na casa dele. Que experiência diferente! Conhecemos sua grande família e bela casa, pronta para receber hóspedes, com uma imensa mesa envolta por muitas cadeiras e um quarto de hóspedes, onde dormimos com muito conforto. Comemos e bebemos chá até ficarmos mais que satisfeitos – arroz frito com cenoura e carneiro (plov), macarrão com carneiro, esfirra de carneiro, castanhas e frutas secas, chocolates, pães e chá, muito chá preto e dos bons, com um aroma incrível! Quando sinalizávamos que estávamos satisfeitos, a mãe da casa, chamada Baktili, dizia: “cuche, cuche, tchai, tchai!” (coma, coma, chá, chá). Ficamos um bom tempo conversando com a família que era muito curiosa sobre o Brasil e sobre nossa viagem. No dia seguinte, na partida, além de recebermos um estoque de comida e água, o Marcos ganhou um chapéu típico muçulmano e eu um lenço de seda. Trocamos contatos e partimos na esperança de recebê-los no Brasil. 



A passagem do Cazaquistão para o Quirguistão foi uma mudança suave e pouco drástica, por enquanto, pois há muitas coisas em comum e o russo por aqui também é a segunda língua, então nossa “fluência” na língua ainda vale nessas terras (rs).
Agora estamos em Bishkek, capital do Quirguistão, a poucos quilômetros da fronteira. Por isso, fica para a próxima postagem as novidades desse pequeno e grande país. Por hora, podemos contar algumas curiosidades.

Curiosidades:
- Vimos pelas ruas homens usando um chapéu chamado Kalpak, feito de feltro, longo e de aba curta (ver álbum de fotos)

- Milho em russo é "kukuruza".

- Em cada esquina do centro de Bishkek há vendedores de duas bebidas típicas – Bozo Chalap, bebida de leite, levemente salgada e com CO2. Estranha! Maksym, bebida fermentada de milheto (às vezes de milho, trigo ou cevada). Muito estranha! Além dessas bebidas, há muitas outras que conheceremos nas montanhas. Para os mais curiosos, segue o site do fabricante desta e de outras bebidas - http://www.shoro.kg/en/production/national-drinks/.

- Vimos muitas pessoas tomando sorvete. Há grandes sorveterias com vários freezers. Aqui faz muito calor no verão e sorvete é muito barato. Tomamos bons picolés de leite com camada de chocolate por 0,25 USD!

- Há muita comida barata por aqui: macarrão por 0,7 USD/kg , pão por 0,6 USD, aveia por 1,2 USD/kg, iogurte por 0,8 USD/L e leite idem.

Dicas:
Registro: Fomos ao escritório da polícia responsável pelo registro (OVIR), mas a oficial nos informou que para brasileiros (e muitos outros ocidentais) não é preciso.

Bicicletaria: Velo Leader (Yuganov) – muitas opções de peças e mecânica.

ATM: Muitos deles permitem o saque de dólar. As marcas com maior limite de saque foram: Demir Bank e Unit Credit Bank - 300 USD/saque e Unit Credit Bank – 15.000 Som/saque.


VEJA MAIS FOTOS NOS ÁLBUNS - CAZAQUISTÃO E QUIRGUISTÃO

 
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