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19 de jul. de 2012

“Pra lá de Bagdá”


De 03/07/2012 a 19/07/2012 – De Tabriz a Batumi

De Tabriz, no Irã seguimos por uma estrada para a Armênia que logo virou uma pedregosa e íngreme estrada. No topo da montanha a tempestade se formou e vimos povos nômades numa movimentação maluca para tentar se proteger da chuva, nada diferente de nós. Conseguimos abrigo num vilarejo e o tempo se abriu rapidamente, depois de uma xícara de chá com cubos de açúcar.

Nômades no alto da montanha

Nossa ideia era cruzar Armênia e Geórgia para conhecer outros países, sem pedalar muito mais do planejado, que seria ir do Irã diretamente para a Turquia. Está sendo ótimo, pois as paisagens, as pessoas e tudo mais tem sido incríveis, mesmo tendo que cruzar estradas dificultosas. São nessas estradas difíceis é que conseguimos descobrir muitas belezas pouco desvendadas e sem muita interferência humana para tomar banho nas bicas d’água e acampar.
Pegamos o visto mais rápido (10 minutos para emitir) e o mais barato (7,5 USD) de toda a viagem: o visto da Armênia na fronteira com o Irã. E aproveitamos bem esta passagem pelo país: no primeiro dia na Armênia jantamos um churrascão – dia 5 de Julho comemora-se o Dia da Constituição e ainda era aniversário de uma das moças que nos recebeu, motivo em dobro para comemorar com a família que estava “pra lá de Bagdá” de vodca, conhaque e vinho. Experimentamos o vinho de cereja e dormimos por ali mesmo.
Por falar em cereja, as cerejas verdes que vimos no Uzbequistão estão maduras por aqui, assim como os deliciosos damascos e amoras (brancas e roxas) espalhados pelas estradas. Esperamos que as maçãs, pêras e ameixas, ainda verdes por aqui estejam maduras no próximo país.
Além das frutas, a estação das flores está a mil! Flores do campo por todos os cantos, assim como abelhas e apicultores.

Amora gigante

Subimos, descemos, subimos, descemos, passamos por Kapan, dormimos e descansamos duas noites na agradável cidade de Goris num Bed and Breakfast (sem breakfast) muito arrumado. A partir daí cruzamos com muitos estrangeiros de bicicleta: holandeses, alemães, franceses e uma turma polonesa de carro e bicicletas. Num dos sobe-desce descemos até o belíssimo Lago Sevan, acampamos numa mata próxima ao lago, pesadelo: milhares de pernilongos famintos para todos os lados ao nosso redor, pior mesmo foram somente os pernilongos da Geórgia na floresta de pinheiros no caminho entre Adigeni e Khulo, onde atravessamos outro duro passo por estrada de terra.
Na Geórgia vimos alguns fortes, muitas igrejas católicas e curiosos vilarejos no meio das montanhas. Cruzamos a fronteira da Armênia com a Geórgia pelo vilarejo de Bavra na Armênia, rapidamente também, não precisamos de visto, somente de um carimbo. Depois de 15 minutos já estávamos na Geórgia, que frio e úmido que estava por ali! O clima foi esquentando e melhorando conforme fomos seguindo pelas montanhas e baixadas. Do topo do passo Goderdzi descemos até Batumi, e do topo até 20 km abaixo pela péssima estrada de pedra e terra tivemos uma companhia canina, o Brazuca, que nos seguiu, não sabemos ainda o porquê. Quando parávamos ele ia direto pra sombra, bebia as águas que escorriam das pedras e refrescava as patas e barriga na água que corria na beira da estrada, parece ter se divertido bastante! 

Amigo Brazuca

Finalmente chegamos quase na fronteira com a Turquia, na bela cidade de Batumi, na beira do Mar Negro com suas belíssimas praias, uma grande atração turística.
Pra finalizar nossa passagem pela Geórgia demos um mergulho no Mar Negro: praia de pedras e água morna. Nada como um banho para lavar a alma!
Turquia: aí vamos nós!

Algumas cidades visitadas: Norduz – Irã; Meghri, Kapan, Goris, Martuni, Dilijan, Vanadzor, Gyumri – Armênia; Ninotsiminda, Akhalkalaki, Aspindza, Akhaltsikhe, Adigeni, Khulo, Keda, Batumi - Geórgia

Curiosidades:
- Compramos o mesmo remédio para verme que há no Brasil, mas a diferença de preço foi gritante. O preço de um comprimido no Brasil custa o mesmo que 100 comprimidos no Irã! Nessas horas notamos como a indústria farmacêutica rouba!

- A vodka é bastante consumida pela Geórgia e Armênia, mas na Armênia o conhaque é o mais famoso e na Geórgia o vinho;

- O chá no Irã é consumido com açúcar em cubo, colocam-se os cubinhos na boca e depois o chá, já na Geórgia e Armênia o café da América do Sul faz sucesso, mas sem coar, bebe-se a parte líquida e o pó fica no fundo da xícara (chamado de soorch na Armênia);

- Vimos em várias mercearias enlatados de carne bovina vinda do Brasil;

- Vimos pães com formato estranho alongado e curvo aqui na Geórgia.

Dicas:

Dinheiro:
Na fronteira com o Irã com a Armênia há cambistas que trocam dólar e rial por dram, mas a um valor de 3 a 5% superior ao encontrado nos bancos. Entre com um pouco de dram, pois o visto (3.000 drams) deve ser pago nesta moeda.

Vistos:
Armênia: na fronteira com o Irã, por 3.000 drams. Nem foto foi necessário.
Geórgia: Brasileiros, assim como muitas outras nacionalidades, não precisam de visto.

Telefonia Irã: Caso você queira fazer ligação internacional com o chip iraniano, é preciso solicitar no ato da compra. Sem custo nenhum custo isso será feito. Ligações dentro do Irão são muito baratas, em torno de 1.000 Rial/minuto (0,07 USD – varia em função da taxa de câmbio), mesmo para outras províncias. SMS custa 160 Rial. Ligações para o Brasil são também baratas – em torno de 3.000 Rial/minuto (0,15 USD). Nessas horas notamos como as companhias de telefonia no Brasil rouba!

Acampamento e noites de sono:
- Repelente é importante, tivemos perturbações por pernilongos;

- As pessoas são bem amigáveis, nas regiões mais montanhosas onde costuma ser mais difícil acampar pedimos para montar a barraca nos jardins das casas;

- Os hotéis não costumam ser tão baratos quanto nos países anteriores - em média USD 10-20 por pessoa (os mais baratos);


Clima:
- Faz calor de mais de 30°C nesta época do ano, especialmente nos locais mais baixos. Nas montanhas o clima tem sido mais ameno e algumas vezes úmido – Geórgia e Armênia.

Estradas:
- Na Geórgia existem, teoricamente, algumas estradas alternativas, mas na verdade nem todas são estradas asfaltadas mesmo estando nos mapas oficiais, convém verificar bem antes de fazer escolhas.

Internet:
- A internet na Armênia e Geórgia tem sido rápida, mesmo com conexões Wi-fi.

VEJA MAIS FOTOS NOS ÁLBUNS: IRÃ, ARMÊNIA E GEÓRGIA

13 de mai. de 2012

Isolados no Quirguistão, acompanhados no Uzbequistão


Estamos em Tashkent – capital do Uzbequistão!
Nossa jornada segue após a exótica e surpreendente passagem pelo Quirguistão. De Bishkek, capital do Quirguistão, seguimos em direção ao famoso Lago Issyk-Kul, de águas salgadas e não congeláveis, o segundo maior lago alpino do mundo, ficando atrás somente do Lago Titicaca no Peru.
Nossa passagem por aqui não tem sido solitária, cada vez mais as pessoas têm participado da nossa longa história. De Bishkek a Tashkent estivemos e ainda estamos na companhia de muitas pessoas para tomar uma xícara de chá e ouvir - de onde vocês são? (”At cuda?”), se somos casados, se temos filhos, etc. e também para conversar sobre coisas interessantes, filosofar, pensar sobre cultura, sobre a vida, política. Recebemos muitos convites para dormir e comer em suas casas. Isto tem sido uma experiência muito rica para nós!




O Quirguistão nos tirou o fôlego – pelas quase intermináveis montanhas e pelas paisagens sensacionais! Tivemos até um surpreendente encontro com um brasileiro – Breno e sua companheira tcheca na cidade de Toktogul. Bebemos muito chalap – bebida derivada do leite com gás e sal e comemos muito pão, macarrão e embutidos, além de banhos no rio. Muitos momentos bons, como também momentos difíceis, como a pedalada até o topo do Passo Ala Bel – 3.175 m. A quase 2.400 m de altitude já nevava e próximo aos 2.000 m pegamos uma dolorida chuva de pedras de gelo. Bom, depois da subida vem a descida, como já esperávamos: fria, muito fria, no início com neve e depois chuva. Tivemos um momento raro na presença de uma grande águia que circulava pela montanha – o Quirguistão também é bem conhecido pelas exóticas águias.

As cidades e vilarejos do Quirguistão eram menores do que imaginávamos, em alguns vilarejos não conseguíamos encontrar nem um pequeno mercado, mas como muitas vezes estocávamos comida conseguíamos nos virar bem com pães, embutidos de carne, margarina, macarrão, tialap, refrigerante de pera local, leite condensado, uva passa e bolachas, pensamos em carregar ovos para fritar, mas as estradas de terra e pedra por onde passamos dificultava, pois corríamos o risco de perder os ovos por quebrarem no caminho.
Bem, o restante sobre o Quirguistão deixaremos para as fotos, as imagens falam por si! A fronteira com o Uzbequistão passando por Uchkurgan-Uzbequistão foi vazia (depois descobrimos que ela não está aberta para pessoas do Uzbequistão atravessá-la e já a primeira pessoa que encontramos na beira da estrada pediu para tirar foto conosco, aliás, fotos não faltaram, algumas vezes tiravam fotos e antes de partirem nos presenteavam com um pão, água. Aconteceu (e não foi somente uma vez), de diminuírem a velocidade de seus carros para nos perguntar de onde éramos ou simplesmente encostavam o carro para tirar fotos, ficando surpresos quando falávamos que éramos brasileiros, e diziam: “football...kaka...ronaldo...pelé” e as vezes não sabiam se o Maradona e Messi eram brasileiro (rs). Até participamos de uma festa de casamento típica do Uzbequistão a convite da Gulnora e sua adorável família! Muita dança, comidas – o famoso e tradicional plov uzbeq, pastéis de carne, doces, chá verde, discurso e muita curiosidade de todos para saber sobre nós. Fotos? Também não faltaram!
Na saída de Torakurgan – cidade do casório, saímos caminhando pelo vilarejo junto com Gulnora e fomos rodeados por muitos, muitos curiosos, tantos que a polícia teve que intervir, pois o trânsito estava impedido com tanta gente no meio da rua.


Diferente do Quirguistão, não está sendo fácil acampar no Uzbequistão, pois aqui é bem povoado! Normalmente pedimos para armar a barraca em suas varandas como fizemos numa comunidade agrícola próximo à cidade de Pop, montamos a barraca sob uma bela parreira de uva e na beira de um canal no qual nos banhamos. De manhã ganhamos iogurte feito na hora com leite da vaca dali mesmo e uma garrafa de chá preto. A partir dali era só diminuir as marchas da magrela para mais uma longa subida: 50 km até 2.200 m de altitude (e vejam só: estávamos a apenas 480 m de altitude). Chuva novamente, mas enfim subimos e descemos até certo ponto e fomos convidados por Tashtemer - pedagogo entusiasta com o povo e cultura islâmica e uzbeq para dormir em sua casa, conversamos (gesticulando e tentando falar algo em russo) bastante, jantamos e dormimos, dia seguinte foi a puxada final até Tashkent onde agora nos encontramos na companhia de Farhod, Rano, Azmat e Sardor (família de um coração gigante), mas antes de encontra-los via www.couchsurfing.org fomos convidados para passar uma noite na casa da família de Lola, sua filha Aziza e seu filho Sanjarbek, muito agradáveis e simpáticos! Banho quente e comida deliciosa!
Agora, aqui estamos em busca de novos caminhos!



Algumas cidades visitadas: Tokmok, Balikchy, Kochkor, Chaek, Sussamyr, Toktogul, Karakul, Tashkomur – Quirguistão; Uchkurgan, Namangam, Torakurgan, Chust, Angren, Tashkent – Uzbequistão.

Curiosidades:

- O povo uzbeq é muito curioso para conhecer estrangeiros;

- O povo uzbeq gosta muito de ajudar as pessoas e ser ajudado;

- O burro é muito utilizado no Quirguistão e Uzbequistão para o trabalho no campo e transporte, mas um burro bem mais peludo que no Brasil;

- Nos campos mais isolados ou mesmo nos vilarejos criam-se muitos carneiros e cabras e somente um pouco de vacas;

- Ouvimos, mas não conseguimos ver vários deles: pássaros diferentes do Brasil, um deles é o “Cuco”;

- No Quirguistão vimos muitos poços d’água na beira da estrada nos vilarejos. Muitas pessoas pegam essa água para beber e usar no dia-a-dia já que água encanada é difícil de encontrar;

- Os banheiros no Quirguistão e no Uzbequistão também são fora da casa – valas sem encanamento para o esgoto, em sua maioria, exceto nas capitais;

- Trocamos 40 dólares por Uzbek Som e recebemos um saco de dinheiro – a nota com maior valor por aqui equivale a 0,5 USD. Por isso é comum ver pessoas com sacos  e bolos de notas;

- Vimos os famosos nômades do Quirguistão já próximo a Toktogul em suas cabanas chamadas yurt.

Dicas:

- Pedalamos no Quirguistão no final de Abril e o clima estava agradável nos locais mais baixos (até 2.000m, mais ou menos), mas com chuva fraca em alguns locais. Na subida para o passo Ala-Bel (3.175m) pegamos chuva, chuva de gelo, neve e vento;


- Entramos no Uzbequistão por Uchkurgan, onde trocamos “Kyrg Som” por “Uzbek Som” por uma taxa muito mais vantajosa que a oferecida em Tashkent, onde eles não têm interesse pela moeda do Quirguistão. O local de troca é o mercado (bazar) da cidade e basta gesticular que quer trocar dinheiro. Não há local oficial para troca. A taxa de troca varia muito de cidade para cidade;

- Em Tashkent, os bancos trocam Dolar por Som por uma taxa muito pior que a oferecida nos bazares (“mercado negro”). Enquanto os bancos ofereciam 1.890 Som (valor próximo ao oficial) por 1 USD, o mercado negro oferecia 2.800. Não encontramos bancos vendendo dólares e o preço deste no “mercado negro” é alto;

- Hotéis 4 e 5 estrelas em Tashkent têm ATM Visa e Master, dos quais é possível sacar Som ou Dólar, além de oferecerem wifi livre no lobby – exemplos: Grand Mir e Intercontinental;

- Contatamos um rapaz, Philipp, que possui uma loja de reparo de bicicleta. Não sabemos quanto à qualidade do serviço, pois não usamos, mas achamos uma peça de bicicleta que precisávamos. Telefone: (+998) 91112344;


- A fronteira em Uchkurgan estava vazia e não tivemos problemas. Do lado do Quirguistão há apenas pequenos vilarejos rurais. Vimos um hotel a 5 km da fronteira, no Quirguistão. 


Vejam mais fotos nos álbuns Quirguistão e Uzbequistão.

4 de abr. de 2012

Feliz ano novo de novo!

Posted by Marcos

De 20/03/2012 a 04/04/2012 – De Urumqi, China, a Almaty, Cazaquistão.

Aqui é ano novo de novo! Nosso terceiro ano novo desde novembro de 2011! Dia 22/05/2012 comemora-se o ano novo pérsico, junto com a chegada da primavera, e aqui estamos nós!
Depois de muita confusão devido ao feriado de Ano Novo Persa (Nauryz): ficamos 3 dias em Huoerguosi, na fronteira da China com o Cazaquistão, esperando abrirem-se os portões. Quando finalmente se abriram, muitos empurrões (até suamos, o que não é muito fácil nesse frio todo), simplesmente porque não se fazem filas; e para entrar no Cazaquistão, alguns metros dali do portão de checagem da China, nos impediram de ir pedalando. Somente de ônibus poderíamos atravessar, o que nos custaria 50 dólares (uma pechincha, não?), pagamos o que tínhamos no bolso, um pouco de Yuan e um pouco de Tenge, no final nem sabemos ao certo quanto pagamos, só sabemos que depois de muita chiadeira nossa conseguimos pagar quase metade do valor inicialmente cobrado, que era um absurdo – 5 minutos percorridos em um ônibus para 40 pessoas mas onde tinham 70. Após tudo isso, passamos tranquilamente por militares que viam nosso passaporte brasileiro e brincavam: “futebol, Ronaldo, Rio de Janeiro”.
Percebemos logo nas primeiras pedaladas como muita coisa estava diferente, as paisagens, as pessoas, as comidas, as estradas, o tempo (não apenas as pelas 2 horas a menos em relação a China). Passamos os dias mais isolados da viagem (até o momento) por quilômetros de paisagem com vegetação do tipo taiga – os famosos pastos do Cazaquistão, montanhas com neve ao fundo e na companhia de ovelhas, vacas, cavalos, burros e camelos, isso mesmo camelos!


De repente, no meio dessa imensidão toda, um cânion, uma garganta, rios bem secos e outros bem turbulentos sendo abastecidos pelas montanhas de gelo conforme a neve ia derretendo. Vimos cemitérios à beira das estradas, muitas vezes um tipo de mosteiro exuberante anunciava ser ali um cemitério.


Nas estradas é engraçado, basta ouvir um assobio de longe e olhar para ser cumprimentado com um erguer de braço ou, quando próximos, com um aperto de mão. Algumas vezes o jeito de “conversar” (se é que conseguimos conversar) e cumprimentar nos faz imaginar que somos amigos de longa data. Muitos carros antigos, da década de 90 e vários de fabricação russa circulam pelas estradas, como se tivéssemos voltado no tempo. As vilas são rústicas e as casas são rodeadas com cercas bem baixas e, engraçado, a maioria dessas cercas era azul, talvez para representar a principal cor da bandeira do país.
As comidas estão sendo muito bem aproveitadas, pois caíram bem no nosso gosto e necessidade: pães, queijos e diversos derivados do leite, embutidos de diversos tipos de carnes (inclusive cavalo), kebab (uma pilha de carne em um espeto vertical gigante), os pastéis (assados ou fritos com recheios de abobrinha, batata, repolho, carne de boi, ovo, e outros), e claro não podemos nos esquecer da maçã. Dizem que no Cazaquistão, especialmente na Província de Almaty (alma ata – pai das maçãs) é um dos centros de origem da maçã, pode-se encontrar algumas verdinhas por um preço melhor, 150 tengs/kg = 1 USD, e são deliciosas! Em alguns vilarejos vimos que parece haver grave escassez de água, com jarros de água no lugar das torneiras já secas.

E finalmente, após alguns dias de pedalada, chegamos em Almaty, para decidir os vistos para os próximos países e também conhecer a cidade grande por aqui, porque não? Cidade realmente grande com muitas opções de lazer, para quem gosta de fazer compras (de artigos esportivos – esqui, mountain bike, camping a artigos de luxo), passear nos parques e praças (são grandes e numerosos), conhecer as belas igrejas católicas e mosteiros ou tomar um café ou chá com leite nos badalados cafés das grandes avenidas.


Nem Rússia, nem Azerbaijão e nem Uzbequistão (pelo menos agora), mas Quirguistão: nosso próximo destino!

Algumas cidades visitadas: Almaty, Koktal, Zharkent e Chilik – Cazaquistão; Yining e Huoerguosi - China

Curiosidades: o russo é a segunda língua mais falada no país, e sua pronúncia é similar ao português o que facilita o uso do livro de frases úteis, porém o alfabeto cirílico complica a leitura; muitas pessoas usam dentes de ouro; fui cumprimentado diversas vezes com as duas mãos ao redor da minha; leites e derivados com mais gordura são mais caros; vi homens se despedindo ou se cumprimentando com beijos no rosto; há carros com volante tanto do lado direito quanto do lado esquerdo; aqui se bebe chá com leite.

Dicas:

Hotéis em Almaty: não existe opção barata, o mais barato que encontramos foi o Hotel Saulet – 20 USD por pessoa, quartos bastante simples com banheiro, mas chuveiro separado, atendimento razoável, café da manhã simples e com Wi-Fi por 500 tenges (3,5 USD por 3 horas) o qual não estava funcionando, as bicicletas tiveram que ficar amarradas no primeiro andar por 200 tenges/bicicleta/dia = 1,3 USD.

Bicicletarias: 4 lojas da Extremal – mecânica e algumas opções de equipamentos e artigos esportivos; Urban Athletic – mecânica e várias opções de peças e artigos esportivos.

Visto para o Quirguistão em Almaty (turismo, 30 dias) - não foi necessária carta convite (letter of invitation – LOI). Havia duas opções para o prazo de liberação do visto: normal - expedido em 2 semanas por 65 USD e o expresso – de 1 a 3 dias por 115 USD. Sem comentários. Pagamos em tenge e o visto ficou pronto em 2 dias.

É sempre bom se informar a respeito de feriados no mês de aplicar o visto ou para passar por uma fronteira, pois pode haver atrasos por paralisações.

No trecho Khorgos – Almaty as cidades e vilarejos são distantes, com até 80 km de distância entre um e outro seguindo pela estrada principal, por isso é conveniente preparar um leve estoque de comida e água.

No portão da fronteira do lado chinês pode-se comprar tenge com facilidade por uma taxa de câmbio razoável, já que há muita concorrência entre os cambistas. Não vimos nenhum tipo de troca oficial.

Registro: não há registro na fronteira e tivemos que nos registrar em até 5 dias em Almaty. Demorou 5 minutos para registrar no escritório da policia (OVIR). No hotel Saulet, nos indicaram uma agência de viagens que cobraria 1.000 Tenges (6,5 USD) por registro. Não são todos os países que precisam se registrar.

12 de fev. de 2012

Nem aqui e nem na China!

Posted by Marilia

De 30/01/2012 a 12/02/2012 - De Sa Pa (Vietnã) a Xingyi (China)

Depois de alguns dia em Sa Pa, descemos 1.500m até a cidade de Lao Cai, já na fronteira com a China, onde entramos no dia primeiro de Fevereiro. Ainda em terras vietnamitas, avistamos os grandes prédios e luminosos chineses.
A entrada na China foi mais tranquila do que pensávamos. Tínhamos lido histórias de vistorias de bagagens, confisco de mapas e guias que mostrassem Taiwan como não pertencente à China e outras coisas do tipo. Porém, nossa experiência foi diferente.
A considerada pequena cidade de Hekou, na fronteira, é, na verdade, bastante grande perto dos vilarejos que víamos nos outros países. Avenidas com três faixas, canteiros floridos, prédios, calçadas largas e limpeza nas ruas. Depois de um tempo na China, notamos que grande parte das cidades está em pleno crescimento, parecendo grandes canteiros de obra, com ruas sendo demolidas, dando lugar a grandes avenidas ainda vazias. Muitos prédios estão sendo construídos, especialmente nas periferias. Na verdade, o país todo parece estar em crescimento nervoso. Pequenas estradas estão dando lugar a grandes rodovias (também ainda bem vazias) com pedágios e postos de combustível padronizados (sempre nos dois sentidos, um na frente do outro). Infelizmente, quando pedalamos nas periferias mais pobres das grandes e faraônicas cidades, notamos que a limpeza das cidades gera a sujeira em outro lugar. Além disso, as cidades pequenas de verdade, especialmente vilarejos agrícolas, são bem pobres e os carros importados e motos elétricas que vemos nas cidades dão lugar a carroças, motocas e bicicletas. Desigualdade social não muito diferente da brasileira.
Além dos contrastes sociais que vimos, o contraste geográfico é grande: relevo, vegetação e clima variam muito! Nos primeiros dias, percorremos estradas sinuosas à beira de um belo rio e de montanhas bastante inclinadas. Cruzamos bananais imensos nas inclinações mais impressionantes. Curioso ainda era ver ao longe grandes morros e seus pontinhos azuis, pois os agricultores colocam os grandes cachos de bananas ainda no pé em sacos dessa coloração. Mais curioso ainda era ver os burros de carga carregando quilos e quilos de bananas pelas trilhas estreitas nos morros. Toda essa bananeira é colocada em caixas em cima dos imensos caminhões, na beira da estrada mesmo.


De uma hora para outra, o tempo muda, tanto para melhor quanto para pior. Em meio à névoa, pedalamos um pouco e o sol surge, lindo e quente! Por outro lado, já pedalamos névoa à dentro algumas vezes, e tivemos que colocar muita roupa no corpo para aguentar a umidade e frio repentinos. O inverno aqui não é brincadeira, ainda mais para nós! Definitivamente, nossos pontos fracos são frio e umidade! 

Bom, e a língua chinesa? Complicada, para dizer pouco, bem complicada! Os ideogramas e as pronúncias são bem esquisitos. Para completar, o povo aqui não é muito criativo na hora de gesticular e quando notam que não entendemos o que falam eles escrevem, o que não ajuda em nada. Mas estamos com um livro de frases úteis, o que ajuda demais e é uma diversão para os chineses mais atirados, que adoram folhear nosso livro bendito! Digo chineses mais atirados, pois, diferentemente dos vietnamitas, os chineses são bem mais quietos (conosco) e sérios. Não deixam de ser curiosos, pois nos olham muito, mas não nos tocam ou mexem em nossas coisas (só no livro haha).
Por falar em dificuldade de comunicação, ficamos uma hora em um loja de celular (só há um tipo, a China Mobile) tentando descobrir como se faz ligação internacional por celular. Por fim, com ajuda de uma simpática chinesa, descobrimos que, “por questões de segurança”, é preciso pagar uma taxa de 3.000 Yuan (R$1.000) para cada ligação internacional, valor o qual é devolvido (sabe-se lá como!). Muita complicação e desistimos do chip chinês.
Nessa loja de celular, vimos que cópia é com eles mesmo e descarada! Vimos celular Noika e outras cópias. Nos supermercados, vemos uma bolacha e do lado há outro tipo parecido, mas descaradamente é cópia. Muito curioso!
A comida por aqui um pouco similar com a vietnamita, com carnes temperadas com cebolinha e gengibre, legumes e arroz. Uma mudança curiosa foi o jeito de pedir comida. Por aqui também não há cardápios, mas há grandes geladeiras envidraças, que expõem os alimentos frescos para serem escolhidos: carnes (das mais normais às mais estranhas, como pé de galinha e cabeça de pato), cogumelos, tofu, verduras e outros. Escolher a comida assim é bem divertido! Acompanhando os pratos, sempre tem um bule de chá (mate ou verde), às vezes com erva e tudo.
O lado ruim da comida é que bem raramente encontramos pão e o leite daqui é estranho. Vem em garrafinha e sempre tem um sabor forte, o que tentamos identificar pelas figuras, as quais nem sempre são claras. Já tomamos leite sabor amendoim, nozes (aguado), morango, abacaxi, laranja, maçã, etc. Soa apetitoso, mas na verdade é bem enjoativo. Os biscoitos daqui também são diferentes. Os doces são um pouco salgados e não tem biscoito salgado para valer. Comemos um de broto de feijão estranhíssimo e um de semente de melancia também estranho. Pior é que só sabemos o sabor depois de experimentarmos, pois as embalagens são indecifráveis! 


As paisagens por aqui têm variado muito. Percorremos estradas maravilhosas, como a que nos levou até Shilin, cidade famosa pela “Floresta de Pedra” (Stone Forest). Dezenas de quilômetros antes e depois dessa cidade foram percorridos em uma região com pedras em formações diversas que, de longe, às vezes parece uma floresta mesmo, ou então cidades, mas, na verdade, são pedras. Outra região tinha curiosos morros isolados no meio de um mar amarelo, coloração dada por uma cultura bastante plantada aqui, que dá uma flor bem amarela. Pareciam ilhas em meio a um mar amarelo. Por outro lado, passamos por alguns trechos horríveis, com muita indústria, carros e caminhões. Por sorte, grande parte as estradas tem a estrada nova e a velha, na qual há pouco movimento de automóveis.
Aliás, esse negócio de estrada nova ainda dá nó na cabeça de muito morador local (e na nossa). Na passagem da Província de Yunan para Guizhou, as regras da estrada mudaram, apesar de não termos saído da linha. De repente, a estrada era proibida para ciclistas, mas não havia sinalização que indicasse isso. Descobrimos isso porque logo após passarmos por um pedágio, ouvimos um carro de polícia atrás de nós, falando em seu autofalante. Paramos e, depois de falar por telefone com uma policial que falava inglês, descobrimos que aquela rodovia de alta velocidade (velocidade máxima de 100km/h) era muito perigosa e por segurança, os policiais nos levariam para “um lugar seguro”. Detalhe que aquela foi a estrada mais segura que pedalamos, pois o acostamento era imenso e não passava mais que um carro por minuto. Bom, mas as regras são deles e acatamos. Os dois policiais tentaram colocar nossas bikes (com os alforjes imensos) na pequena caçamba deles, o que estava na cara que não caberia. Quando eles quase quebraram o farol do Marcos, tive que gesticular que não dava, pois era óbvio que não caberia. O policial concordou e parou dois caminhões. O primeiro, carregado de porcos, foi liberado, mas o segundo, vazio, teve que levar nossas bikes e nós fomos no carro dos policias. No meio do caminho, um senhor de idade estava caminhando no acostamento e o policial falou algo alto no autofalante e quase matou o senhor de susto. Não aguentamos e caímos na risada e até os sérios policiais riram um pouco. Não somente nós não sabemos onde é e não é permitido circular! Por fim, eles nos deixaram no “lugar seguro” do qual falaram, que é onde estamos hoje. Agora, qual estrada podemos pegar para seguirmos até o nosso destino nós não sabemos. Quem sabe não pegamos outa carona com os policiais.
Outro causo curioso foi nossa busca por hotel na cidade em que fomos deixados pelos policiais, Xingyi. Buscar hotéis na China não é muito simples, comparado aos outros países que passamos. Isso porque as cidades são maiores e temos que rodar e rodar, além de não conseguir ler “hotel” em chinês. Bom, mas fomos lá rodar pela cidade em busca de hotel. No primeiro, o cara disse num inglês arrastado algo que não poderíamos ficar lá e dizia “governo, governo” e que nos levaria em um hotel melhor. Achamos muito estranho e caímos fora. Mas em mais dois hotéis o pessoal gesticulava que não. Na terceira tentativa, perguntei à moça, que, aliás, parecia um pouco constrangida com a situação, por que não poderíamos ficar ali e ela disse em um inglês sofrido que era por sermos estrangeiros e se desculpou em seguida. Disse que só poderíamos ficar em um hotel maior (e mais caro, óbvio). No final das contas, já era quase noite, a cidade estava enevoada, estávamos cansados e não tínhamos opção, a não ser ficar no tal do hotel maior. Então aproveitamos o luxo do hotel (R$33/noite para duas pessoas – uma pechincha perto do que se paga no Brasil, mas na China costumamos pagar R$15). Bom, estávamos ansiosos pelo café da manhã, mas foi um fiasco, porque o café era típico asiático: ovo cozido, sopa de noodle e mingau de arroz (sem sal, nem açúcar). Agora fica o mistério se a regra dos hotéis é para toda a província de Guizhou ou se apenas para algumas cidades!

Algumas cidades visitadas: Lao Cai - Vietnã. Hekou, Ping Bian, Mengzi, Kayiuan, Mile, Shilin, Luo Ping, Shizong, Xingyi – China.

Dicas:
Vietnã: A dica é barganhar, pois no Vietnã eles sempre começam com um valor maior. Infelizmente, o preço, especialmente dos hotéis, raramente chegam ao valor pago pelos vietnamitas. Estrangeiro paga mais!

Celular: Fazer ligação internacional por celular é um pouco complicado na China. É preciso uma autorização, obtida por meio do pagamento de uma taxa, que parece ser reembolsável, mas não sabemos como isso funciona ao certo.

Estradas: A estrada de Mengzi para Mile é bastante movimentada. Alguns quilômetros após Kaiyuan (mais ou menos 25km), há a opção de pegar a estrada velha, que está ruim, mas é bem menos movimentada. Após Mile, esta estrada está ótima e sem movimento algum.

Equipamentos: Um dos velocímetros da Echowell (modelo YEDOO) começou a dar defeito com menos de 4.000km.

15 de jan. de 2012

Feliz 2.555!

Posted by Marilia

De 1º a 14 de Janeiro – De Nahim, Laos, a Hoa Binh, Vietnã.

Começamos o ano de 2012 (ou 2.555 no Laos, já que o calendário aqui é Budista) conhecendo a Caverna Konglor – 7,5km de rio dentro da caverna, o que percorremos de barco na companhia da Helena, uma garota russa viajante, muito simpática! Conhecemos também os simpáticos casais Ian e Alexa, dos EUA, e Sara e Steven, da Suíça. Estes estavam terminando a volta de bike da Turquia à Tailândia!
O último dia no Laos foi de congelar! Subimos a estrada úmida, com mata e cachoeiras até a fronteira, na cidade de Nam Phao. Com o vento e a umidade, a sensação deveria estar próxima a 0°C. Nosso óleo de cozinha até solidificou! Entramos no Vietnã e descemos até quase o nível do mar, onde ainda estava frio e úmido, mas menos que na fronteira.
Mudar de país é sempre um pouco estressante – mudança de língua, costumes, dinheiro e clima! É sempre necessário um tempo de adaptação e para o Vietnã, foi preciso mais tempo, pois a mudança foi drástica.
Logo nas primeiras cidades e vilarejos, começamos a buscar por restaurantes no meio de centenas de placas comerciais, que são grandes e coloridas. Identificamos os restaurantes pelas mesinhas que, a propósito, são baixinhas com cadeirinhas de plástico (tipo as infantis, no Brasil). Aprendemos que há diferentes tipos de restaurantes, cujo tipo de comida servido fica indicado na tal da placa. Não há cardápio, o que é péssimo, pois nunca sabemos ao certo o valor da comida, além de dificultar o aprendizado das palavras. Dá sempre a impressão de que pagamos mais, pois eles falam um valor, e na hora de pagar, falam outro. Adotamos a prática de sempre pagar antes de comer, logo que nos falam o preço, e assim não tivemos mais problemas.




A culinária daqui mudou. Ainda há as sopas de noodle e pimenta, mas o povo aqui come mais carne e os pratos são mais fartos, com muito arroz, muitas vezes à vontade, vegetais cozidos, carnes e ovos (acho que de pato e galinha). Outra coisa comum por aqui é pão, que são, normalmente, vendidos em mercadinhos nas ruas e não em padarias. Não se iluda também, pois é raro o pão estar fresco e nunca dá para saber se ele é doce ou salgado.
Após cada refeição, eles mudam para a mesa do chá e do fumo, onde tomam chá verde (tem muita plantação de chá verde por aqui) e fumam um canudo grande, tipo um narguilé rústico. Nos restaurantes, o chão fica forrado de guardanapos e ossos de carne, pois aqui é comum comer e jogar o lixo no chão.
Os franceses que encontramos no Laos tinham nos falado que eles comiam cachorro e comem mesmo. Vimos um cachorro morto e sem pelo em cima de um balcão sendo fatiado. É um tanto chocante para nós ver isso, mas é cultural. Fazemos o mesmo com vacas, porcos, galinhas e tantos outros animais. Vimos um monte de pombas engaioladas em uma feira, da mesma maneira que as galinhas, então talvez seja comum comer pombas por aqui também.
Outra mudança grande foi o trânsito. Aqui buzinar é a regra! Os carros têm diferentes tipos de buzinas: alta e forte, baixa e musicalizada, longa e ecoante e assim por diante. A maioria delas é assim: o motorista toca uma vez e ela fica tocando por alguns segundos! Escolher qual buzina comprar dever ser uma atração à parte por aqui. Acontece que ciclistas e pedestres (com búfalos, vacas e tudo o mais), que têm aos montes, caminham e pedalam tranquilamente no meio da rodovia, então os motoristas buzinam, mas ninguém dá a mínima. Mas muitas vezes buzinam sem razão alguma mesmo, acho que só para não perder o costume. Por sorte, as rodovias não têm muito carros. O povo daqui usa muito motocas e bicicletas. Muitas vezes conseguimos pedalar no acostamento, só não dá quando a estrada fica mais estreita ou quando o acostamento fica forrado de mandioca fatiada ou milho, o que as pessoas deixam para secar!




O povo tailandês e laoense era mais discreto, já aqui o pessoal é mais agitado e atirado, fala meio alto e toca mais, dando tapas de amizade. São muito curiosos e quando paramos para comprar algo, ou só para descansar, as pessoas se juntam aos montes em volta de nós. Às vezes vêm correndo de longe só para nos olhar. Gostam de mexer nas nossas coisas, especialmente nas bikes, acho que pelo fato deles usarem muito bicicleta por aqui. Ficam encantados com o velocímetro, testam os freios, checam se os pneus estão cheios e assim por diante!


Por conta disso, acampar por aqui não tem sido muito fácil. Não vimos mais templos, parar em escolas é suicídio e achar um lugar vazio e “acampável” é complicado – as planícies estão alagadas e barrentas e sempre quando achamos que estamos sozinhos, aparece alguém do nada! Agora sabemos como eles venceram as guerras!
Paramos vez e outra em hotéis, para fazer dia de descanso ou porque não achamos lugar para acampar. Uma vez, perguntamos o preço e o cara mostrou uma nota de 100.000 dongs. Ok, ficamos lá dois dias e quando fomos pagar, ele disse que 200.000 dongs, que era o que demos a ele, era para uma noite apenas. Ficamos putos e dissemos que não e gesticulamos que ele havia mostrado uma nota de 100.000! Foi uma bagunça e até a moça do mercadinho do lado, com quem “conversamos” na noite anterior, apareceu e fazia negativo com a cabeça, como que reprovando o cara. Começamos a lembrar que no dia em que chegamos ao hotel, ele queria ficar com o nosso passaporte, o que não deixamos de jeito nenhum, para irritação dele. Além disso, ele mostrou a nota de 100.000 meio escondido. Começamos a ligar os pontos e vimos que o cara estava querendo dar um golpe mesmo. Tentamos ir embora, mas o cara amarrou a roda do Marcos com um cabo e fingiu que chamaria a polícia. Para nós, seria até melhor, mas ele estava blefando. O Marcos falou para mim “Lila, chama a polícia!”, daí ele soltou a bike e saímos de lá.
Como vocês puderam notar a comunicação não tem sido a coisa mais simples. Raras são as vezes em que encontramos alguém que fale inglês e mesmo o vietnamita tendo alfabeto romano, os acentos para todos os lados e a pronúncia são bem complicados. Mas aos poucos estamos pegando as frases e palavras principais, como os números, quanto custa, carne de cachorro, não, pimenta, etc.
Outra coisa curiosa por aqui é casamento. Eles parecem levar muito a sério, pois vimos em vários lugares, quadros dos noivos, muitas lojas de roupas de casamento e, em vários lugares, homens e mulheres perguntam se somos casados e se temos filho. Quando digo que não temos filhos, eles parecem meio decepcionados.
Mais curiosidades! Aqui passa uma novela coreana dublada para a língua local. Até aí tudo bem, mas acontece que uma mulher dubla a voz de todos os personagens e sempre com a mesma entonação. Cômico! Outra coisa comum são os karaokês. Em toda esquina tem um e o povo canta mesmo, ou melhor, grita mesmo.
E as pedaladas? Ah, tem sido muita e pedalar pelas estradas do Vietnã tem sido assim: muitas montanhas e mata ao redor da estrada, que é um sobe e desce suave, nada muito elevado, por enquanto. Muita buzina e “hello, hello!” na orelha, mas muito mesmo, até desistimos de responder. As motocas que passam por nós são uma atração, pois carregam de tudo: televisão, bicicleta, cachorros, porcos e galinhas engaiolados, árvore (pois é!), mercado (um mercadinho ambulante!), cana-de-açúcar (uma montanha de cana!), pessoas (já vimos quatro em uma motoquinha) e assim vai. Nas bicicletas o pessoal também carrega muita coisa, e sem marchas e muitas vezes com os pneus murchos de tudo.


Bom, o negócio agora é o seguinte: em uma semana pedalamos metade do caminho no país, então temos que pisar no freio, pois queremos entrar na China lá pro final de Janeiro, começo de Fevereiro, para tentar pegar menos frio! Espero que dê certo!

Algumas cidades visitadas: Lak Sao, Nam Phao – Laos. Yen Cat, Khai Son, Cam Thuy, Bo, Hoa Binh – Vietnã.

Dicas:
Khai Són – esse é o nome da cidade em que o cara tentou dar o golpe que contamos acima. O nome do hotel é Huong Thong. Então, não fique nesse hotel!

Passaporte – alguns hotéis pedem o passaporte, mas os idôneos apenas o levam à polícia para que ela faça uma checagem. Nós não damos passaporte para ninguém, mas sim acompanhamos a pessoa do hotel até a polícia. 

Inverno no Norte do Vietnã – O tempo estava úmido, apesar de não termos pego chuva forte, somente garoa. E faz frio! Próximo ao nível do mar está entre 10 e 20°C e nas partes mais altas estava próximo a zero, com bastante vento.

Estradas – Assim como no Laos, é bom sempre se informar sobre a qualidade das estradas que estão indicadas em mapas e placas, pois vimos (e pegamos algumas...) muitas delas em condições bastante precárias – esburacadas, sem asfalto e enlameadas. Além disso, nem sempre as menores são menos movimentadas!

15 de dez. de 2011

Adeus Tailândia, bem-vindo ao Laos! / Goodbye Thailand, welcome to Laos!

Posted by Marilia


01/12/2011 - 14/12/2011 - de Sung Men, Phrae, Tailândia - Luang Prabang, Laos

No dia 1º de Dezembro, cruzamos uma província inteira (Uttaradit)! Mas isso não é grande coisa, já que as províncias por aqui são pequenas. Chegamos a Sung Men, já na província de Phrae, o calor era de matar e estávamos famintos, afinal, já era hora do almoço. Paramos na primeira barraquinha que vimos e a moça nos serviu a única coisa que tinha. Um fora! Noodle de arroz (até aí tudo bem) com fígado cru. Ninguém merece! Comemos só o noodle e atravessamos a avenida para comer do outro lado. Agora sim, “cáopat” – fritada de arroz com frango, ovo e vegetais – uma delícia! Por sorte, a dona do restaurante falava um pouco de inglês, além de ser muito simpática e nos ensinar um pouco de Thai, nos indicou um hotelzinho com internet! Passamos o dia usando a internet para recuperar o atraso! Falamos com a família, postamos no blog, mandamos e-mails, revisamos a rota e mexemos nas bikes. Logo o dia já tinha passado e ainda tínhamos coisas para fazer. Para piorar, o pé do Marcos voltou a inchar e à noite estava uma bola! Decidimos ficar mais um dia para ver se melhorava até o dia seguinte, mas piorou mais. Fomos ao Hospital e saímos de lá com um coquetel de remédios e uma indicação para seis dias de repouso! Virge mãe!

Ficamos sete dias na pousadinha que, aliás, era uma graça! Ruen Kaew Resort era o nome. O pessoal do Resort, Miu e Mu (não sei ao certo se é assim que se escreve) era muito simpático, atencioso e cuidadoso com tudo! Muito legal! Enquanto isso, o pé do Marcos desinchava a passos lentos, para não falar lentíssimos! Não doía nada, mas estava vermelho e inchado. Aproveitamos o tempo para renovar o blog, estudar mais sobre nossos equipamentos e outras coisas. A boa nova é que recebemos o reembolso do seguro viagem pelo atraso da bagagem em Bangcoc.

Depois do repouso indicado e medicação, o pé estava bem melhor, mas ainda inchado! Decidimos sair e quem sabe um pouco de exercício não ajudava! E ajudou! Partimos novamente no dia 8 de Dezembro e que felicidade! Seguimos para a capital da província de Nam, chamada Nam, como sempre. No caminho, vimos uma placa indicando caverna e como gostamos muito da outra que visitamos, desviamos um pouco e fomos ver. Subimos uma escadaria de pedra e lá estava a entrada da caverna imensa, com uma fraca iluminação interna e algumas pontes de madeira para atravessar os pequenos cursos de água. Olhávamos para baixo e parecia um abismo, mas na verdade, era o teto da caverna refletindo na água. Ficava lindo! Mas as fotos não ficavam boa devido à baixa luminosidade. Seguimos até o fundo da caverna, onde havia outra abertura e algumas imagens de Buda, com outras estátuas e oferendas. Ficamos um tempo nesse recanto relaxante e seguimos o caminho.


Passamos por diversos vilarejos, como de costume e paramos em um deles e pedimos para acampar em uma escola, o que foi permitido pelos professores. Em poucos minutos estávamos rodeados de alunos, crianças e adolescentes. Os mais jovens eram mais espevitados e os mais velhos mais contidos e chegavam com muita educação, com as mãos unidas na frente do rosto, mas também curiosos. Uma pena nenhum deles falar inglês, mas conseguimos contar de onde éramos e para onde íamos. Como sempre ocorrem nas escolas, armamos a barraca e cozinhamos com plateia.

Levamos um susto em nossa última noite da Tailândia, com um escorpião imenso (15 cm), preto, rodeando nossa barraca! Na manhã seguinte, as subidas começaram para valer e o frio também. Já fazia um tempo que a estrada estava ficando cada vez menos movimentada e as montanhas distantes já estavam mais próximas. Percorremos lentamente os últimos 50 km em terras tailandesas rodeados de vistas deslumbrantes, na companhia de poucos habitantes e alguns motoqueiros que nos cumprimentavam empolgados e que vinham em grupo na direção oposta. Estavam montados em motocas do tipo mobiltete anos 70, com longa folha de capim na traseira e cheios de bagagem. Não sei como subiam tanta ladeira!

Chegamos à fronteira com o Laos, “Terra de Milhões de Elefantes”, na hora do almoço. Comemos nossa ultima refeição tailandesa e cruzamos a fronteira já com saudade. Gostamos demais da Tailândia! Fomos muito bem recebidos e nos sentimos muito bem, pois o povo é bastante simpático.

No escritório de imigração, estavam hasteadas duas bandeiras, a do Laos e da União Soviética, vermelha com a foice e o martelo. Pegamos o visto, pedalamos 3 km e paramos em um hotel simples. O frio estava de rachar, o que nos surpreendeu bastante, pois estávamos a 550 m de altitude só.

O primeiro dia de pedal no Laos foi bem diferente. Além do frio e névoa pela manhã, a estrada era de terra. Almoçamos em Hongsa e encontramos 3 simpáticos franceses que caíram do céu! Um deles, Fabian, morava no Laos fazia 2 anos e nos deu dicas sobre a estrada adiante e decidimos pedalar 27 km até um vilarejo à beira do rio Mekong, onde pegaríamos um barco para Luang Prabang. Os 27 km foram intensos e espetaculares! Quedas de água, muita mata, terra, poeira e subida, seguida de descida até a margem do rio. No dia seguinte, colocamos as bikes na barcaça na companhia de 2 dos 3 franceses, Elza e Arnold. Era meu aniversário e foi um belo dia de passeio de barco, com direito a um presente do simpático casal francês que gentilmente compraram comida para nós em Hongsa. Chegamos em Luang Prabang no final da tarde, junto com o pôr do sol.

Algumas cidades visitadas: Tailândia - Phrae, Nam, Chiang Khlang, Thung Chang. Laos - Honsa, Thasuang, Luang Prabang.

Dicas:

Tailândia: A melhor dica é para você ir para Tailândia, seja de bike, a pé, de carro, de barco. Há muitas cidades turísticas, como Ayuttaya, Sukkhothai, Chiang Mai, a região litorânea e muitas outras coisas. Decidimos não passar por cidades muito movimentadas, pegar estradas mais tranquilas, com paisagens legais e conhecer alguns parques.

Animais: Como disse minha amiga Bianca “na Tailândia tem uns bichos nervosos!”. Sempre atento, especialmente à noite! Cobras, escorpiões e centopeias gigantes, e outros que não vimos!

Visto e fronteira: Cruzamos a tranquila e isolada fronteira de Huai Kon – Nam Nguen, aberta há pouco tempo para não residentes da Tailândia e Laos. A estrada do lado do Laos é bem precária. Até Hongsa, a estrada estava sendo pavimentada, mas após essa cidade, todos os trechos eram bem complicados, com muita terra e poeira (ou lama, na época de chuva). Pegamos o visto lá mesmo.
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01/12/2011 - 14/12/2011 - from Sung Men, Phrae, Thailand - Luang Prabang, Laos

On December 1st, we passed through an entire province called Uttaradit! But that wasn’t a big deal, once the provinces are quite small here. We arrived in Sung Men, at Phrae’s province, the hot weather was unbearable and we were starving (it was high time for us to have lunch). We stopped at the first stall we found on the way and we were served the only dish that was available. We had rice noodle, so far so good… but with raw liver (nobody deserved that!). We only ate the noodle and then we crossed the road to try something better on the other side (which was way better!). We had a dish called "Cáopat" which consisted of fried rice with chicken, egg and vegetables – What a delicious meal! Luckily, the owner of the restaurant could speak a little English, was very friendly and taught us a bit of Thai. She also indicated us a small hotel with Internet access. At the hotel, we spent the day on the internet to make up for lost time! We chatted with our families, posted on the blog, sent email, updated the route and maintained the bikes. The day had passed in the blink of an eye and we still had things to do. To get worse, Marcos' foot started to swell again and it looked like a ball at night! So, we decided to stay for another day to see if it would get better until next day, but it didn’t. We went to the hospital and left it with a cocktail of medicines and a prescription of six days of rest! Gosh!

We stayed at a very cute hotel called Ruen Kaew Resort for seven days. The resort’s staff, Miu and Mu (I’m not sure if I spelled their name correctly), was very friendly, attentive and careful with everything! That was very cool! Meanwhile, Marcos’ foot reduced the swelling slowly, but very slowly! It didn’t hurt but it was red and swollen. We took the time to update the blog, to study more about our equipment and stuff. The good news was that we received a reimbursement from the travel insurance for the luggage delay in Bangkok.

After taking the prescribed rest and practicing medication, Marcos’ foot got better, but was still swollen!  We decided to go out and work out a bit to see if it’d help the recovery! It did work! 
Happily, we departed again on December 8! We proceeded to the provincial capital of Nam, also called Nam. On the way, we saw a sign indicating the way to a cave and, as we liked the other one we had visited before, we changed the route a little bit to visit it. We climbed a stone-made stairway toward the entrance of a huge cave, it had a weak inner light and a few wooden bridges crossing small streams. We looked downward from the bridge and it looked like an abyss, but that was just the ceiling of the cave reflecting on the water surface (It was beautiful!). We took some pics but they are not that good due to the pour light. We crossed the cave ‘till we arrived at another opening where there were some Buddha’s pictures, sculptures and offerings.  We stayed there for some time to relax and after that we continued our journey.
As usual, we passed through several villages and we stopped to ask for a place to camp in a school, which was allowed by the teachers. Within few minutes we were surrounded by students (children and teenagers). The younger were more active and the older ones were calmer and came very politely, with the hands together in front of their faces, but they were also curious. It was a shame that they couldn’t speak English, but we could tell them where we came from and where we are going to. As usual when we camp in schools, we put up the tent and cooked surrounded by an audience.
We were frightened on our last night in Thailand, we found a huge black scorpion (about 15 cm) surrounding our tent! On the next morning, we faced the slopes and cold weather as well. It had been a time that the road was becoming less busy and the distant mountains were already closer. We cycled the last 50 km slowly in the Thai land surrounded by breathtaking landscapes, in the company of few citizens and some groups of motorcyclists who passed us by and greeted us excited. They were riding motorcycles like “mobiltete” from the 70s, carrying long grasses and a lot of luggage in the back. I don’t know how they ascend that slope carrying such a load!

We arrived at the boundary with Laos, "Land of Million Elephants," at lunchtime. We ate our last Thai meal and then we crossed the boundary. We enjoyed having passed through Thailand!  We were very well welcomed there! We felt very good because the people are very friendly.
There were two flags at the immigration office, one from Laos and the other one from Soviet Union. We got the visa, we cycled 3 km and stopped at a hotel. The cold weather was terrible, which surprised us a lot because we were only at 550 m altitude.
The first day in Laos was quite different. Besides the cold weather and the fog in the morning, the road wasn’t paved at all. We had lunch in Hongsa where we met three kind French guys. One of them, Fabian, had lived in Laos for two years and gave us some tips about the pathway we were about to face. We decided to cycle 27 km bound for a village located by Mekong river, whence we'd proceed by boat to Luang Prabang. The 27 km-long journey was intense and breathtaking! There were waterfalls, a lot of forest, soil, dust, slope and a descent to the river’s bank. The next day we put the bikes on the barge in the company of two of the tree French, named Elza and Arnold. It was my birthday and it was a beautiful day for boating, I got a gift from the friendly French couple who kindly bought us some food in Hongsa. 
We arrived in Luang Prabang late in the afternoon, along with the sunset.
Some visited cities:
Thailand - Phrae, Nam, Chiang Khlang, Thung Chang.
Laos - Hongsa, Thasuang, Luang Prabang.

Tips:
Thailand: The best choice is to pass through Thailand, it can be by bike, on foot, by car or by boat. There are many touristic cities there, such as Ayuttaya, Sukkhothai, Chiang Mai, the coastal region and many other places. We decided not to bike in crowded cities, instead we decided to cycle on the quietest roads, see cool landscapes and visit some cool parks.

Animals: As my friend Bianca said: "there are nervous animals and insects in Thailand". We had to be very cautious especially at night! There were snakes, giant scorpions and giant centipedes, and others which we haven’t seen!

Visa and boundary:  We crossed the quiet and isolated boundary of Huai Kon - Nguen Nam, recently opened to tourists of Thailand and Laos. The roads in Laos are very precarious. From the boundary with Thailand to Hongsa, the road was being paved, but after that city, cycling on those pathways were quite complicated, there were a lot of dust and  mud in the rainy days. We got the Visa in Hongsa.

 
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