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19 de jul. de 2012

“Pra lá de Bagdá”


De 03/07/2012 a 19/07/2012 – De Tabriz a Batumi

De Tabriz, no Irã seguimos por uma estrada para a Armênia que logo virou uma pedregosa e íngreme estrada. No topo da montanha a tempestade se formou e vimos povos nômades numa movimentação maluca para tentar se proteger da chuva, nada diferente de nós. Conseguimos abrigo num vilarejo e o tempo se abriu rapidamente, depois de uma xícara de chá com cubos de açúcar.

Nômades no alto da montanha

Nossa ideia era cruzar Armênia e Geórgia para conhecer outros países, sem pedalar muito mais do planejado, que seria ir do Irã diretamente para a Turquia. Está sendo ótimo, pois as paisagens, as pessoas e tudo mais tem sido incríveis, mesmo tendo que cruzar estradas dificultosas. São nessas estradas difíceis é que conseguimos descobrir muitas belezas pouco desvendadas e sem muita interferência humana para tomar banho nas bicas d’água e acampar.
Pegamos o visto mais rápido (10 minutos para emitir) e o mais barato (7,5 USD) de toda a viagem: o visto da Armênia na fronteira com o Irã. E aproveitamos bem esta passagem pelo país: no primeiro dia na Armênia jantamos um churrascão – dia 5 de Julho comemora-se o Dia da Constituição e ainda era aniversário de uma das moças que nos recebeu, motivo em dobro para comemorar com a família que estava “pra lá de Bagdá” de vodca, conhaque e vinho. Experimentamos o vinho de cereja e dormimos por ali mesmo.
Por falar em cereja, as cerejas verdes que vimos no Uzbequistão estão maduras por aqui, assim como os deliciosos damascos e amoras (brancas e roxas) espalhados pelas estradas. Esperamos que as maçãs, pêras e ameixas, ainda verdes por aqui estejam maduras no próximo país.
Além das frutas, a estação das flores está a mil! Flores do campo por todos os cantos, assim como abelhas e apicultores.

Amora gigante

Subimos, descemos, subimos, descemos, passamos por Kapan, dormimos e descansamos duas noites na agradável cidade de Goris num Bed and Breakfast (sem breakfast) muito arrumado. A partir daí cruzamos com muitos estrangeiros de bicicleta: holandeses, alemães, franceses e uma turma polonesa de carro e bicicletas. Num dos sobe-desce descemos até o belíssimo Lago Sevan, acampamos numa mata próxima ao lago, pesadelo: milhares de pernilongos famintos para todos os lados ao nosso redor, pior mesmo foram somente os pernilongos da Geórgia na floresta de pinheiros no caminho entre Adigeni e Khulo, onde atravessamos outro duro passo por estrada de terra.
Na Geórgia vimos alguns fortes, muitas igrejas católicas e curiosos vilarejos no meio das montanhas. Cruzamos a fronteira da Armênia com a Geórgia pelo vilarejo de Bavra na Armênia, rapidamente também, não precisamos de visto, somente de um carimbo. Depois de 15 minutos já estávamos na Geórgia, que frio e úmido que estava por ali! O clima foi esquentando e melhorando conforme fomos seguindo pelas montanhas e baixadas. Do topo do passo Goderdzi descemos até Batumi, e do topo até 20 km abaixo pela péssima estrada de pedra e terra tivemos uma companhia canina, o Brazuca, que nos seguiu, não sabemos ainda o porquê. Quando parávamos ele ia direto pra sombra, bebia as águas que escorriam das pedras e refrescava as patas e barriga na água que corria na beira da estrada, parece ter se divertido bastante! 

Amigo Brazuca

Finalmente chegamos quase na fronteira com a Turquia, na bela cidade de Batumi, na beira do Mar Negro com suas belíssimas praias, uma grande atração turística.
Pra finalizar nossa passagem pela Geórgia demos um mergulho no Mar Negro: praia de pedras e água morna. Nada como um banho para lavar a alma!
Turquia: aí vamos nós!

Algumas cidades visitadas: Norduz – Irã; Meghri, Kapan, Goris, Martuni, Dilijan, Vanadzor, Gyumri – Armênia; Ninotsiminda, Akhalkalaki, Aspindza, Akhaltsikhe, Adigeni, Khulo, Keda, Batumi - Geórgia

Curiosidades:
- Compramos o mesmo remédio para verme que há no Brasil, mas a diferença de preço foi gritante. O preço de um comprimido no Brasil custa o mesmo que 100 comprimidos no Irã! Nessas horas notamos como a indústria farmacêutica rouba!

- A vodka é bastante consumida pela Geórgia e Armênia, mas na Armênia o conhaque é o mais famoso e na Geórgia o vinho;

- O chá no Irã é consumido com açúcar em cubo, colocam-se os cubinhos na boca e depois o chá, já na Geórgia e Armênia o café da América do Sul faz sucesso, mas sem coar, bebe-se a parte líquida e o pó fica no fundo da xícara (chamado de soorch na Armênia);

- Vimos em várias mercearias enlatados de carne bovina vinda do Brasil;

- Vimos pães com formato estranho alongado e curvo aqui na Geórgia.

Dicas:

Dinheiro:
Na fronteira com o Irã com a Armênia há cambistas que trocam dólar e rial por dram, mas a um valor de 3 a 5% superior ao encontrado nos bancos. Entre com um pouco de dram, pois o visto (3.000 drams) deve ser pago nesta moeda.

Vistos:
Armênia: na fronteira com o Irã, por 3.000 drams. Nem foto foi necessário.
Geórgia: Brasileiros, assim como muitas outras nacionalidades, não precisam de visto.

Telefonia Irã: Caso você queira fazer ligação internacional com o chip iraniano, é preciso solicitar no ato da compra. Sem custo nenhum custo isso será feito. Ligações dentro do Irão são muito baratas, em torno de 1.000 Rial/minuto (0,07 USD – varia em função da taxa de câmbio), mesmo para outras províncias. SMS custa 160 Rial. Ligações para o Brasil são também baratas – em torno de 3.000 Rial/minuto (0,15 USD). Nessas horas notamos como as companhias de telefonia no Brasil rouba!

Acampamento e noites de sono:
- Repelente é importante, tivemos perturbações por pernilongos;

- As pessoas são bem amigáveis, nas regiões mais montanhosas onde costuma ser mais difícil acampar pedimos para montar a barraca nos jardins das casas;

- Os hotéis não costumam ser tão baratos quanto nos países anteriores - em média USD 10-20 por pessoa (os mais baratos);


Clima:
- Faz calor de mais de 30°C nesta época do ano, especialmente nos locais mais baixos. Nas montanhas o clima tem sido mais ameno e algumas vezes úmido – Geórgia e Armênia.

Estradas:
- Na Geórgia existem, teoricamente, algumas estradas alternativas, mas na verdade nem todas são estradas asfaltadas mesmo estando nos mapas oficiais, convém verificar bem antes de fazer escolhas.

Internet:
- A internet na Armênia e Geórgia tem sido rápida, mesmo com conexões Wi-fi.

VEJA MAIS FOTOS NOS ÁLBUNS: IRÃ, ARMÊNIA E GEÓRGIA

9 de jun. de 2012

Um “merci” à história persa

De 25/05/2012 a   09/06/2012 – De Teerã a Shiraz


“Merci” quer dizer obrigado em farsi, a língua oficial do Irã, assim como em francês. A língua, assim como outras formas de expressão como a arte, a música, a religião sofreram influência de diversos povos, portanto não será difícil ouvir expressões e palavras de origem francesa (“merci”) e árabe, por exemplo. Aqui foi o berço da civilização persa e possui ainda muitos traços das antigas civilizações. O povo iraniano é acolhedor, amigável e talentoso em receber visitas em suas casas, por isso e por muitas outras razões iremos dizer muitos “mercis” ainda. Talvez tudo isso seja uma herança de Ciro o grande e todo o seu respeito aos povos com suas diferentes culturas durante seu reinado.
Nossas pedaladas começaram a partir do aeroporto internacional de Teerã - Imam Khomeini, já distante 35 km da capital: “Ufa!”, parece que Teerã não tem um bom trânsito para bicicletas. Foram cansativos os preparativos para o voo de Tashkent para Teerã: bicicletas e bagagens a serem empacotadas, noite no aeroporto... mas enfim tudo terminou bem.
Montamos nas bikes e seguimos por 20 km até pararmos para dormir no segundo andar de uma lanchonete, onde um ratinho correu pelos cantos, mas nada demais, demos um jeito de montar a barraca ali mesmo, e deu certo! No dia seguinte ao acordarmos vimos barracas montadas do lado de fora da lanchonete e tudo estava diferente: a maioria das mulheres todas cobertas com roupas pretas (chador), a língua farsi e as comidas. Mais alguns quilômetros rodados e descobriríamos que é comum os viajantes pararem em locais próximos a estrada reservado para camping e piquenique, normalmente estes locais são próximos às entradas das cidades. Algumas vezes vimos multidões de pessoas acampando e fazendo piquenique de dia, de noite e de madrugada.


Nossa primeira etapa de pedalada foi até a cidade de Shahin Shahr, passando por Qom – uma das cidades mais religiosas do país por ter escolas de teologia e filosofia e ser a cidade de formação do principal líder do país nos tempos modernos – diferente, e confesso que ficamos um pouco acuados, pois estávamos e éramos bem diferentes por ali. A passagem por Kashan foi muito agradável, pois no caminho até lá conhecemos Reza, que se tornou um grande apoiador da nossa viagem e amigo. De Kashan, Reza nos levou até Qamsar, pequeno vilarejo onde dormimos. Conhecemos a interessante fama de Qamsar ser um vilarejo que produz água de rosas para o uso regional e até internacional, muito utilizada no setor alimentício e cosmético.


Conhecemos Kashan: jardins, mansões, bazares e também provamos o kebab iraniano. Fomos até Abyaneh – antiquíssimo vilarejo no meio das montanhas com cultura, língua (antigo persa), religião (zoroastrismo) e hábitos muito peculiares e diferentes do iraniano, quase outro país. Com mais de 5.000 anos de existência, o difícil e talvez inimaginável acesso a este vilarejo fez com que o mesmo ficasse isolado e desconhecido por muitos anos de modo a preservar sua antiquíssima cultura até os dias de hoje, sem a influência e o contato com as grandes civilizações dominantes na época.


De Qamsar (1.700 m de altitude) optamos pela estrada no meio das montanhas para chegarmos a Shahin Shahr, cidade vizinha à famosa Esfahan – “Esfahan nesf-é jahan” – “metade das belezas do mundo”, como disse Renier no século 16. Cruzamos vilarejos no meio das montanhas e chegamos aos inesperados 2.740 m de altitude. Mais um dia e estávamos em Shahin Shahr na casa de Sina e sua família, outro grande entusiasta e apoiador de nossa viagem, que nos levou para conhecer as belezas de Esfahan, como o Jameh Mosque, Sheikh Lotfallah Mosque, Eman Square, Eman Mosque, a Ponte Si-o-Se, o Bazar-e Bozorg, o Palácio Chehel Sotum e outros! Mas as amizades e a hospitalidade do povo iraniano não param por aí: Navid e Malihe em Yazd e Marjan e Mehdi em Shiraz, todos eles tem sido grandes apoiadores e companheiros ao longo da nossa jornada.
Nossa viagem sobre duas rodas deu um tempo para podermos explorar um pouco além do que iríamos explorar sobre duas rodas. Deixamos as bikes em Shahin Shahr e fomos de ônibus para Yazd e Shiraz, importantes cidades com historias riquíssimas e calor, muito calor! Yazd é uma das cidades mais antigas do mundo, é o centro do zoroastrismo e fica entre dois imensos desertos, o Lut e o Kavir. Já em Shiraz, uma das grandes atrações é Persépolis, local que foi o símbolo do Império Persa sob o comando de Ciro o Grande e depois de outros grandes imperadores como Dário I e Xerxes I e que, por fim, acabou nas mãos de Alexandre o grande que incendiou parte do complexo quando conquistou a Pérsia. Persépolis tinha como um dos objetivos reunir diferentes povos conquistados (com amplo salão para convidados), ao longo do império persa, através de festividades como o Nauryz ou Nauroz – evento de celebração da chegada da primavera (por volta de 21 de Março) e também guardar alguns artefatos preciosíssimos. Eram tantos que Alexandre o grande precisou de cerca de 3.000 camelos e mulas para colocar tudo aquilo para fora de Persépolis. Além de Persépolis visitamos as tumbas de dois dos maiores e mais famosos poetas iranianos: Hafez e Sadi, envoltas por esplêndidos e agradáveis jardins; próximo a Persépolis fomos até as impressionantes tumbas ditas serem de Dario I, Dario II, Artaxerxes I e Xerxes I no meio da montanha com escritas cuneiformes e com belas ilustrações esculpidas na montanha, realmente impressionante!
 

Nossa caminhada segue com nosso retorno a Esfahan para daí seguirmos pedalando na parte oeste do país, ondea ainde veremos outras cidades e locais históricos, belas paisagens e esperamos fazer muitas outras amizades também!

Algumas cidades visitadas: Qom, Kashan, Qamsar, Abyaneh, Meimeh, Shahin Shahr, Esfahan ou Isfahan, Yazd e Shiraz.

Dicas:

Dinheiro:
O dinheiro oficial do país é o Rial, mas a grande maioria das pessoas usa Toman, que é 10 vezes menos que o Rial. Então é sempre bom confirmar se o valor está em Toman ou Rial. É possível trocar dinheiro (dólar por rial) em bancos ou em escritórios de troca oficiais, o primeiro possui valor desvantajoso e as vezes cobram comissão, já nos escritórios o valor costuma ser vantajoso.

Alimentação:
- É comum alimentos como: chá preto, pães enormes redondos e bem finos, iogurtes salgados, iogurtes com água e hortelã, arroz com açafrão, hortelã, salsa, melão e melancia. Alguns fast foods são bem populares em algumas regiões como o hamburger e a pizza.

Acampamento e noites de sono:
- É possível encontrar espaços, normalmente nas entradas das cidades, onde viajantes param para dormir à noite (ou até mesmo de dia).

Clima:
- Faz calor de mais de 30°C nesta época do ano, especialmente no sul do país. Nas montanhas o clima tem sido mais ameno.

Estradas:
- Existem opções como as highways, com acostamento, que cruzam o país de norte a sul saindo de Teerã até o Golfo Pérsico assim como de leste a oeste. Rodamos por algumas highways como também por estradas menores, normalmente as menores (quando existe opção para seguir pelas menores) têm paisagens mais belas e exóticas;
- Áreas de descanso são muito utilizadas à beira dos desertos nas grandes rodovias: com lojas de comida, água gelada, restaurantes, mosteiro e posto de gasolina.

Internet:
- Muitos sites são bloqueados, como facebook, blogspot e qualquer outro que tenha alguma palavra filtrada pelo governo;
- É comum encontrarmos internet wi-fi nas casas.

Vistos:
Irã: Muitas nacionalidades podem aplicar sem convite (LOI – letter of invitation), mas com isso o processo é mais rápido na embaixada ou consulado. Adquirimos o convite em 10 dias, por meio da agência Stan Tours por 55 USD´cada. Após recebermos o código por email, fomos ao Consulado do Irã em Bishkek, Quirguistão, com duas fotos (mulheres devem estar com a cabeça coberta), cópia do passaporte e preenchemos um formulário. Eles solicitaram seguro viagem, então entregamos uma cópia do nosso seguro. Caso não tivéssemos, eles nos indicariam uma agência que providenciaria um seguro para o Irã.

Extensão do visto iraniano: Dizem que o melhor lugar para extensão de visto é Shiraz. Realmente foi muito fácil. Duas fotos, cópias do passaporte e visto iraniano, formulário e pagamento de 300.000 Rials (18 USD) num banco próximo e só. Conseguimos 30 dias a partir da data de vencimento do primeiro visto.

Curiosidades:
- Voltamos a ver (desde o Brasil não víamos) as pessoas usando xícaras;
- O garfo e a colher são bastante utilizados nas refeições, uma mão segura o garfo e a outra a colher, sem faca;
- As pessoas tem o costume de jantar às 23hs - 24hs, principalmente nesta época do ano (verão);
- Os parques ficam cheios nas madrugadas. As famílias sentem-se ou deitam-se nos gramados para conversar, comer muita melancia, pepino e tomar sorvete, muitos também se divertem jogando bola e brincando no lago. Os iranianos dizem que isso é a única diversão no país, pois o álcool é proibido e não há baladas. 
- É comum entre os homens usar barba e bigode, até que tenho me disfarçado bem como iraniano;
- Dentro dos ônibus municipais as mulheres sentam-se na parte de trás dos ônibus e os homens na parte da frente;
- É comum ver fotos de mártires da Guerra entre Irã e Iraque pelas ruas e também dos grandes líderes religiosos do país;
- Eles fazem muitas piadas e brincadeiras entre si: como com pessoas de outras cidades e regiões e com diferentes sotaques;
- É obrigatório o uso do lenço na cabeça por todas as mulheres, inclusive estrangeiras, apesar das regras serem mais flexíveis para estas;
- Existe uma cidade – Abadan que é fascinada por futebol, especialmente o futebol brasileiro, os uniformes, o brasão do time tem todos com as cores brasileiras.

VEJA MAIS FOTOS NO ÁLBUM 

23 de mai. de 2012

Uma viagem no tempo


De 13 a 23/05/2012 - Tashkent, Samarkand e Bukhara

Ainda estamos em Tashkent, mas já rodamos pelo Uzbequistão, visitamos belas cidades e aqui estamos de volta. A ideia era fazer tudo isso de bicicleta e cruzar o Turcomenistão para chegar ao Irã, mas nosso plano foi por água abaixo, pois o visto de trânsito para o Turcomenistão (o qual teríamos de cruzar em 5 dias) levaria ao menos 20 dias para talvez ser expedido. O pessoal do consulado não foi nada amigável e solícito e nossa solução foi comprar duas passagens de avião para Teerã e visitar o sul do Uzbequistão de ônibus.
Viajamos 4h de ônibus até Samarkand, onde ficamos em um “Bed and Breakfast” muito simpático onde conhecemos muitos turistas estrangeiros, inclusive ciclistas que vieram no sentido oposto ao nosso. Trocamos experiências e dicas, o que é sempre bom!
Samarkand é a cidade mais famosa da Rota da Seda (Silk Road), a qual estamos percorrendo há um bom tempo. É uma das cidades mais antigas da Ásia Central, talvez do século 5 A.C. e já era bem grande quando foi tomada por Alexandre, o Grande e até o século 13 D.C. passou pela mão de diversas etnias, como os persas, mongóis, karakhinidis e outros, até, finalmente, ser quase totalmente destruída por Gengis Khan e por muitos terremotos. Ela foi tão disputada por ligar três regiões importantes: China, Índia e Pérsia.
Visitamos, então, o que sobrou em Samarkand e foi restaurado e podemos dizer que não foi pouco! Registan, muitas madraças, mausoléus e mosteiros. Além disso tudo, passeamos pelo imenso bazar, com muitas frutas e verduras, frutas secas, doces, pães, carnes e roupas. Não vou me prolongar, pois as imagens são melhores que palavras, neste caso.


Pegamos um ônibus e seguimos para Bukhara, considerada a cidade mais sagrada da Ásia Central. Diferente de Samarkand, onde os pontos turísticos são isolados, o centro de Bukhara está muito bem preservado, então andar por esta parte significa estar sempre rodeado de belas e antigas construções, além das imensas a antigas amoreiras.



Após esta viagem no tempo, retornamos para Tashkent – 10h cozinhando no busão – e estamos nos preparando para o Irã!

Curiosidades:
- Aqui na Ásia Central há uma amora que quando madura fica branca, muito branca, e parece uma couve-flor pequena. Além dessa, há muitos pés extremamente carregados de amora roxa. Os pés de cereja também estão carregados nesta época!

- Nos ônibus, é comum vendedores de pães, água, semente de girassol e queijo (um bolinha branca e salgada) entrarem e disputarem entre si a clientela. Aliás, briga é o que não falta nesses ônibus! Preços, poltronas e etc. são sempre motivo de confusão.

Dicas:
- Barganhe bem para pegar ônibus, se alojar em hotéis e para comprar qualquer coisa.

- Em Samarkand, ficamos no Bed and Breakfas Bahodir, e gostamos muito!

- Se possível, não tente o visto de trânsito do Turcomenistão em Tashkent. Encontramos muitos ciclistas que pegaram este visto no Irã em poucos minutos, mas em Tashkent o cônsul foi grosso, não fala inglês e não emite antes de 20 dias.

- Tivemos muita dificuldade em comprar e sacar dólares no Uzbequistão. Então, se possível, traga tudo de que precisa. Após muita busca, sacamos no Banco UzKDB, próximo ao Hotel Grand Mir, com 2% de taxa. Há outro escritório deste banco, mas com taxa de 4%. Tivemos muitos problemas no Banco Nacional do Uzbequistão, então evite.

- Conhecemos o site www.couchsurfing.org e agora somos adeptos. Boa opção para cidades turísticas!

- No metro de Tashkent, os policiais pedem o passaporte, então sempre ande com ele, e revistam, de vez em quando, sua bolsa. O mesmo é feito com o pessoal local.

Veja mais fotos no álbum Uzbequistão!

4 de abr. de 2012

Feliz ano novo de novo!

Posted by Marcos

De 20/03/2012 a 04/04/2012 – De Urumqi, China, a Almaty, Cazaquistão.

Aqui é ano novo de novo! Nosso terceiro ano novo desde novembro de 2011! Dia 22/05/2012 comemora-se o ano novo pérsico, junto com a chegada da primavera, e aqui estamos nós!
Depois de muita confusão devido ao feriado de Ano Novo Persa (Nauryz): ficamos 3 dias em Huoerguosi, na fronteira da China com o Cazaquistão, esperando abrirem-se os portões. Quando finalmente se abriram, muitos empurrões (até suamos, o que não é muito fácil nesse frio todo), simplesmente porque não se fazem filas; e para entrar no Cazaquistão, alguns metros dali do portão de checagem da China, nos impediram de ir pedalando. Somente de ônibus poderíamos atravessar, o que nos custaria 50 dólares (uma pechincha, não?), pagamos o que tínhamos no bolso, um pouco de Yuan e um pouco de Tenge, no final nem sabemos ao certo quanto pagamos, só sabemos que depois de muita chiadeira nossa conseguimos pagar quase metade do valor inicialmente cobrado, que era um absurdo – 5 minutos percorridos em um ônibus para 40 pessoas mas onde tinham 70. Após tudo isso, passamos tranquilamente por militares que viam nosso passaporte brasileiro e brincavam: “futebol, Ronaldo, Rio de Janeiro”.
Percebemos logo nas primeiras pedaladas como muita coisa estava diferente, as paisagens, as pessoas, as comidas, as estradas, o tempo (não apenas as pelas 2 horas a menos em relação a China). Passamos os dias mais isolados da viagem (até o momento) por quilômetros de paisagem com vegetação do tipo taiga – os famosos pastos do Cazaquistão, montanhas com neve ao fundo e na companhia de ovelhas, vacas, cavalos, burros e camelos, isso mesmo camelos!


De repente, no meio dessa imensidão toda, um cânion, uma garganta, rios bem secos e outros bem turbulentos sendo abastecidos pelas montanhas de gelo conforme a neve ia derretendo. Vimos cemitérios à beira das estradas, muitas vezes um tipo de mosteiro exuberante anunciava ser ali um cemitério.


Nas estradas é engraçado, basta ouvir um assobio de longe e olhar para ser cumprimentado com um erguer de braço ou, quando próximos, com um aperto de mão. Algumas vezes o jeito de “conversar” (se é que conseguimos conversar) e cumprimentar nos faz imaginar que somos amigos de longa data. Muitos carros antigos, da década de 90 e vários de fabricação russa circulam pelas estradas, como se tivéssemos voltado no tempo. As vilas são rústicas e as casas são rodeadas com cercas bem baixas e, engraçado, a maioria dessas cercas era azul, talvez para representar a principal cor da bandeira do país.
As comidas estão sendo muito bem aproveitadas, pois caíram bem no nosso gosto e necessidade: pães, queijos e diversos derivados do leite, embutidos de diversos tipos de carnes (inclusive cavalo), kebab (uma pilha de carne em um espeto vertical gigante), os pastéis (assados ou fritos com recheios de abobrinha, batata, repolho, carne de boi, ovo, e outros), e claro não podemos nos esquecer da maçã. Dizem que no Cazaquistão, especialmente na Província de Almaty (alma ata – pai das maçãs) é um dos centros de origem da maçã, pode-se encontrar algumas verdinhas por um preço melhor, 150 tengs/kg = 1 USD, e são deliciosas! Em alguns vilarejos vimos que parece haver grave escassez de água, com jarros de água no lugar das torneiras já secas.

E finalmente, após alguns dias de pedalada, chegamos em Almaty, para decidir os vistos para os próximos países e também conhecer a cidade grande por aqui, porque não? Cidade realmente grande com muitas opções de lazer, para quem gosta de fazer compras (de artigos esportivos – esqui, mountain bike, camping a artigos de luxo), passear nos parques e praças (são grandes e numerosos), conhecer as belas igrejas católicas e mosteiros ou tomar um café ou chá com leite nos badalados cafés das grandes avenidas.


Nem Rússia, nem Azerbaijão e nem Uzbequistão (pelo menos agora), mas Quirguistão: nosso próximo destino!

Algumas cidades visitadas: Almaty, Koktal, Zharkent e Chilik – Cazaquistão; Yining e Huoerguosi - China

Curiosidades: o russo é a segunda língua mais falada no país, e sua pronúncia é similar ao português o que facilita o uso do livro de frases úteis, porém o alfabeto cirílico complica a leitura; muitas pessoas usam dentes de ouro; fui cumprimentado diversas vezes com as duas mãos ao redor da minha; leites e derivados com mais gordura são mais caros; vi homens se despedindo ou se cumprimentando com beijos no rosto; há carros com volante tanto do lado direito quanto do lado esquerdo; aqui se bebe chá com leite.

Dicas:

Hotéis em Almaty: não existe opção barata, o mais barato que encontramos foi o Hotel Saulet – 20 USD por pessoa, quartos bastante simples com banheiro, mas chuveiro separado, atendimento razoável, café da manhã simples e com Wi-Fi por 500 tenges (3,5 USD por 3 horas) o qual não estava funcionando, as bicicletas tiveram que ficar amarradas no primeiro andar por 200 tenges/bicicleta/dia = 1,3 USD.

Bicicletarias: 4 lojas da Extremal – mecânica e algumas opções de equipamentos e artigos esportivos; Urban Athletic – mecânica e várias opções de peças e artigos esportivos.

Visto para o Quirguistão em Almaty (turismo, 30 dias) - não foi necessária carta convite (letter of invitation – LOI). Havia duas opções para o prazo de liberação do visto: normal - expedido em 2 semanas por 65 USD e o expresso – de 1 a 3 dias por 115 USD. Sem comentários. Pagamos em tenge e o visto ficou pronto em 2 dias.

É sempre bom se informar a respeito de feriados no mês de aplicar o visto ou para passar por uma fronteira, pois pode haver atrasos por paralisações.

No trecho Khorgos – Almaty as cidades e vilarejos são distantes, com até 80 km de distância entre um e outro seguindo pela estrada principal, por isso é conveniente preparar um leve estoque de comida e água.

No portão da fronteira do lado chinês pode-se comprar tenge com facilidade por uma taxa de câmbio razoável, já que há muita concorrência entre os cambistas. Não vimos nenhum tipo de troca oficial.

Registro: não há registro na fronteira e tivemos que nos registrar em até 5 dias em Almaty. Demorou 5 minutos para registrar no escritório da policia (OVIR). No hotel Saulet, nos indicaram uma agência de viagens que cobraria 1.000 Tenges (6,5 USD) por registro. Não são todos os países que precisam se registrar.

3 de mar. de 2012

Montanha russa chinesa

Posted by Marcos

De 14/02/2012 até 04/03/2012 – de Xingyi, Guizhou a Xuyong, Sichuan.

Nossa jornada continua a partir da saída de Xingyi, o que estava ao nosso redor era grande, muito maior do que imaginávamos: largas avenidas e grande movimento, tudo isso percebemos somente na saída da cidade.
O caminho que trilhávamos nos surpreendia a cada momento pelas belas paisagens, logo na saída de Xingyi topamos com um grande cânion e com algumas cachoeiras desaguando no rio bem abaixo de nós.


A partir dali subimos uma pequena serra com vendedores de milho na brasa ao longo do seu topo. As cidades e vilarejos se uniam de modo que era difícil se afastar do movimento, ao longo de quase 30 km estávamos rodeados por grandes vilas que pareciam cidades. As buzinas foram cada vez mais dominando as estradas e ruas, como no Vietnã. Aos poucos fomos percebendo que a buzina é bem utilizada por aqui.
As estradas são muito engraçadas e bonitas, quando vemos a estrada tem camadas, como uma lasanha, pedalamos, pedalamos e pedalamos e estamos no mesmo ponto a alguns metros acima.
O sobe e desce de grandes serras nos fez perceber que as diferenças de temperatura e umidade entre um local e outro, nem tão afastados entre si, podem ser grandes. Subimos por belas serras, algumas habitáveis e outras não, e onde pode ser habitado, mas com algumas dificuldades como muitas rochas e grandes declividades, a população se esforça (muitas vezes em grandes grupos) para plantar hortaliças, arroz, trigo e pitáia. Algumas vezes até constroem muralhas de pedras, extraídas por ali mesmo, para formar os platôs agricultáveis e tentar segurar a água e terra dos frequentes desabamentos. Aliás, desabamentos parecem ser frequentes, pelas sinuosas estradas por onde passamos víamos pessoas trabalhando para reter os paredões de terra e pedra.
Nas estradas, de repente, quando víamos estávamos num grande mercado dentro de um vilarejo, pessoas para todos os lados, de moto, de carro, caminhão e a pé.


Pessoas comprando, vendendo, passeando, cortando os cabelos nas calçadas, negociando desde animais vivos até bolachas, bolos, vegetais e dentaduras, isso mesmo! Dentaduras! Nós, pra variar, chamávamos atenção, quando nos dávamos conta estávamos rodeados por uma dezena de pessoas curiosas.
Os restaurantes e as comidas continuam muito interessantes: os pedaços de carne pendurados num restaurante, os pés de galinha e ovos embalados a vácuo, os pãezinhos e os bolos no vapor e o famoso “hot pot” chinês – juntam-se vegetais, às vezes macarrão, carnes e tofu numa panela ao centro da mesa a qual é mantida em pleno aquecimento . Nós nos viramos ao nosso jeito, comprando cookies com semente de girassol, com sementes de gergelim, bolinhos, pães recheados, salgadinho de milho e tofu. Dia desses foi a glória! Encontramos feijão muito parecido com o preparado no Brasil, só que com bastante cebolinha e gengibre. Mas... “nem tudo são flores”, encontramos algo parecido com pão e logo fomos comprando, carregamos por quilômetros o “pãozinho”, quando dou a primeira mordida: tofu, pesado e molhado, era um tofu defumado, mas demos um jeito e pedimos num restaurante para nos prepararem uma porção que, aliás, ficou deliciosa!
Pelas estradas pudemos conhecer vilarejos onde habitam um interessante grupo étnico cujas mulheres costumam usar um pano azul e preto na cabeça , além de outros grupos étnicos.


E o frio eim? Não é fácil não! Por aqui as pessoas tentam se virar de todo jeito pra não sofrer tanto, desde as formas mais sofisticadas, mas não tão comuns, como os aquecedores centrais, até as formas mais rudimentares como fogueiras, carvão vegetal e o carvão mineral - muito utilizado por aqui. As motos são adaptadas com grandes luvas de couro com forro de algo que parece aquecer bastante, algumas motos com guarda chuva acoplado e com capa na dianteira.


Para aquecer a cama tem o aquecedor de cama elétrico e quando estamos com a água nas garrafas quase congelando chegamos em um restaurante ou outro lugar qualquer e nos oferecem água fervendo para beber. Com os alimentos eles também dão um jeitinho diferente de conservar, defumam patas no maçarico e grandes pernis de porcos e penduram pelos cantos, além das verduras, penduradas pelos muros e varais em frente das casas.


Saindo de Dafang vimos alguns flocos de gelo caírem do céu e ainda teríamos uma longa descida pela frente, congelante!
Os pés e as mãos vão sofrendo leve congelamento, mas para minimizar maiores problemas fizemos a nossa mais recente aquisição: botas estofadas de fabricação local, muito boas para o frio, pra pisar na lama e pra pedalar também, por que não?
A comunicação vai bem, eles são bem atenciosos, preocupados e determinados em resolver problemas, apesar das dificuldades em nos fazer entender. Os gestos por aqui são bem diferentes dos nossos, especialmente os números. O número 10 (duas mãos abertas para nós), por exemplo, é gesticulado como uma cruz com os dedos indicadores, bem esquisito!!
Depois de descidas e subidas longas em meio a muito barro e umidade finalmente descemos para o “calor” de 10°C. Até quando? Veremos...

Cidades visitadas, Zefeng, Anshun, Puding, Dafang, Bijie – Guizhou, Xuyong - Sichuan

Dicas:

- Alguns sites têm acesso bloqueado, como Facebook, Youtube, Vimeo e Blogspot, caso necessite acessá-los da China deverá possuir algum proxy ou VPN (este é mais simples de operar) e terá que fazê-lo antes de entrar na China pois muitos proxies e VPN’s também têm o acesso bloqueado;

- Muitos mapas para GPS possuem o chamado “offset” (diferença de muitos metros, cerca de 500m do local onde se está em relação ao que está marcado no mapa do GPS);

- A renovação de visto só pode ser feita nos PSB – Police Station Bureau de cidades, vale enfatizar que muitas “cidades” não são realmente cidades, mas fazem parte de um conjunto de municípios que possuem uma cidade central, por exemplo, tentamos renovar em Dafang mas só pudemos fazê-lo em Bijie, tentamos renovar em Puding, mas só poderíamos ter renovado em Anshun. Em Bijie, com tranquilidade e em menos de 1 hora estávamos com o visto renovado, o custo foi de 369 RMB por pessoa;

- Na província de Guizhou, nesta época do ano, alguns locais são bastante frios e úmidos, especialmente nos pontos altos por onde passamos. É importante se preparar para enfrentar os frios nas mãos, pés e no rosto.

Equipamentos:

- Compramos uma bota aveludada bastante utilizada pela população local, pode ser encontrada em muitos vilarejos até o número 42 do Brasil ou 27 da China no valor de, em média, 26 RMB = cerca de 7 R$.

3 de jan. de 2012

Laos, a terra dos contrastes / Laos, the land of contrasts

Posted by Marcos

15/12/2011 a 31/12/2011 – De Luang Prabang a Nahin

Terra dos contrastes: assim denominamos até o momento o Laos, pois o país é marcado por diferenças: planícies = riqueza, capital e cidades maiores, calor; montanhas = pobreza, interior, frio.
Seguindo nosso passo pelo país conhecemos alguns templos pela cidade de Luang Prabang, a grande feira noturna com comidas típicas a ótimos preços e self-service, pães, bolos, muitos artefatos de fabricação manual e caseira como roupas, tecidos e bebidas. Um paraíso para estrangeiros, muitos deles consumindo bastante. Para nós, a pratada noturna e os bolos e pães para o café da manhã estavam perfeitos.
Fizemos nosso merecido dia de descanso, depois da viagem de barco e do cansativo dia da pedalada por terra.
Para os amantes da natureza existe muitas opções de diversão em Luang Prabang como navegar pelo Rio Mekong, visitar cachoeiras e rodar as estradas em busca de belas paisagens e vistas montanhosas. Estamos numa época (meados de Dezembro) em que Luang Prabang tem agradável temperatura diurna e frio de 15 C nas noite. Para quem tem interesse em conhecer o artesanato, a arte e culinária local recomendamos a feira noturna que localiza-se numa região bem movimentada da cidade, ótimas comidas típicas das mais diferentes as mais comuns aos ocidentais. Ou, simplesmente, dar uma volta pela cidade de bicicleta. Não levou sua bicicleta pra lá como nós? (rs) Não tem problema, muitas Guest Houses alugam bicicletas, assim pode-se conhecer muitos locais da cidade que é plana e agradável para passeios de bicicleta. Outra opção de transporte muito comum é o “tuk tuk”, pode-se fazer uma volta pela cidade e cachoeiras por um preço fixo, mais rapidamente e sem cansar,os tuk tuks estão por toda parte.
Saída de Luang Prabang, andamos por uns trechos planos e com descidas até encararmos o primeiro grande desafio de dois grandes que teríamos: subir pelas tão faladas montanhas do Laos. Dali em diante era sobe e desce, subimos e descemos até o Rio Mekong, depois subimos novamente e nos mantivemos numa altitude média de 1.400 m. Pelas estradas vimos como tudo por ali era diferente, poucas cidades, somente alguns vilarejos cravados no meio de matas fechadas e com alta declividade, tanto que mal se consegue plantar uma horta de subsistência, pois de um lado das casas, muitas delas feitas de lascas de bambu seco e trançado, encontra-se a ribanceira e do outro o asfalto da rodovia, o qual se desgasta todo sobrando apenas brita e terra por conta das chuvas e desabamentos. Pudemos observar quantas crianças moram nesses vilarejos, muitas delas vinham em nossa direção ou se mantinham em suas posições mas quase nunca deixavam de nos abanar a mão e dizer algumas palavras soltas em inglês ou simplesmente “Sabaidee” (“Olá” em lao), algumas sem as partes de baixo da roupa num frio...
O dia foi puxado na pedalada, quase 80 km com muita subida, suave, porém constante. Pernas cansadas e não encontrávamos local para acampar, chegando num vilarejo  encontramos um casal de ciclista francês que vinha da Turquia pedalando e já havia passado por países que iríamos passar. Aproveitamos ao máximo para pegar algumas dicas, conversar, rir bastante das histórias, sentados numa varanda com uma magnífica vista de entardecer, fazia frio e havia muita neblina pelos morros. Finalmente jantamos juntos no restaurante ali próximo e fomos dormir.
No dia seguinte saimos com o objetivo de chegar em Phoukon, as subidas não deixavam irmos muito longe, quase mais longe em altura do que em distância (rs). Descemos bastante na saída, em meio a névoa e frio. O dia da chegada em Phoukon foi farto, farto em barganhas na feira, comidas mais baratas e uma cervejinha do Laos no terraço da casa onde ficamos, acampar ainda era nosso objetivo mas estava difícil encontrar lugar no alto das montanhas e matas.
De Phoukon para Kasi, a princípio este era o nosso objetivo, cerca de 50 km, mas dessa vez o percurso foi a nosso favor, uma longa descida com exuberantes picos a nossa vista, de 1.500 m metros fomos a menos de 300 m. Num dos belos mirantes encontramos tailandeses que tiraram fotos com a gente daí a partir de Kasi nos informamos que o percurso seria mais plano até Vang Vieng então decidimos esticar nossa pernada até a cidade que chegaríamos só no dia seguinte. Em Kasi já sentimos um clima bem diferente: calor e muito sol. As próprias pessoas tinham mais calor ao nos recepcionar, agora não somente crianças nos cumprimentavam ao longo das estradas, mas senhores e senhoras.
De Phoukon para Vang Vieng este foi o nosso dia de pedalada e que pedalada! Visual muito bonito! A cada curva da estrada a paisagem se revelava cada vez mais bela com picos desenhados no horizonte que aos poucos íamos alcançando-os. Ao longo deste trajeto nos sociabilizamos: encontramos um rapaz chinês, uma senhora chinesa, um casal suíço e o espanhol Fernando o qual saudamos já bem de bem longe e imaginamos: este é o “sangue latino” no cumprimento e na aproximação calorosa, detalhe: todos estavam na direção oposta. Foi com o Fernando que percebemos que talvez nosso visto na China pudesse durar menos que o programado – 1 mês, prorrogável por mais outro mês, mas veremos...em Vientiane saberemos.

Nas proximidades de Vang Vieng, a estrada 13 está danificada; intercalam-se os trechos de asfalto com terra (poeira) e pedras e o movimento de carros e caminhões aos poucos foiaumentando. A bela paisagem continua a passar pelos nossos olhos e lente da câmera: já próximos do rio algumas pessoas se divertem nas verdes e translúcidas águas.
Vang Vieng, outra cidade do Laos bastante movimentada por turistas que seguem a rota Luang Prabang-Vang Vieng –Vientiane, por esta rota conhece-se regiões mais selvagens e inóspitas – próximas a VangVieng e Luang Prabang pelas cachoeiras, cavernas, rios e quem sabe até um passeio de balão em Vang Vieng, atrações naturais não faltam e opções de transportes também: motocicletas e bicicletas alugadas e “tuk-tuk”-pagos para rodar até determinado. Aproveitamos VangVieng para fazer um dia de descanso, lavar roupas e por as “pernas pro ar”.
Muito movimento saindo de Vang Vieng.  A estrada continua ruim e continuará assim até Vientiane: pedaços de terra e pedras no meio da estrada asfaltada. Encontramos um simpático casal australiano de bike que vinha de Vientiane e já tinha passado pelo Camboja. Chegando em Phonhong comemos e fomos em busca de local para acampar, saco de água para o banho cheio e fomos em direção a um grande rio, desviando um pouco da estrada que segue direto para Vientiane. Tentativa frustrada, pois o rio ainda estava longe e não havia local em condições para se colocar a barraca, em meio a tanto arrozal. Tentamos num templo, e nada. Por fim ficamos numa simples Guest House.
No desvio da 13, pegamos asfalto de primeira qualidade, porém neste desvio totalizam 20km a mais do que o caminho direto para Vientiane. Foi bom ter desviado, apesar do cansaço no final, mas a agradável manhã que passamos compensou, pois a estrada 10 tinha pouco movimento, aumentando um pouco quando chegávamos próximos aos vilarejos.
Enfim em Vientiane! Cidade bem movimentada com grandes palacetes e monumentos, muitos templos e crianças monge a andar de um lado para outro pela cidade com suas sombrinhas e bicicletas. Ficamos numa região turística próxima ao Rio Mekong para pegar os vistos do Vietnã e da China (só um mês mesmo, prorrogável por mais um mês) e curtir a cidade também.
Conhecer a cidade é algo interessante, pois há vários monumentos, templos e muita história para se contar, tem até comidas típicas de outros países como a culinária da Malásia e a indiana, estátuas, o Patuxay (parecido com o Arco do Triunfo francês) localizado numa larga e longa avenida (Lane Xang), o Ho PhraKeo, Sisaket – locais históricos do país e da religião budista que atualmente abrigam museus com estátuas, muitas delas datadas do século XI como a arte Khmer - Ho Phra Keo e imagens e representações do Buda – Sisaket.
Na saída de Vientiane pegamos um desvio para o Bhudda Park, muito interessante, com diversas imagens do Buda e outras do hinduísmo.


A estrada para o parque tem um trecho de 3 km vindo de Vientiane, já próximo ao parque, com estrada muito ruim. Depois voltamos este trecho de terra e pegamos uma estrada que mais parecia uma pista de pouso, reta e plana feita grande parte com cimento e com três faixas para cada mão, apesar do baixíssimo movimento. Logo depois, pegamos uma denominada 450 anos, um “tapete” também até, e finalmente, alcançarmos a 13. Um trecho por ela até 60 km da capital e já encostamos num templo com dois muito jovens monges.

Os outros três dias pela Rodovia 13 foram monótonos – plano, calor e mais carros, ônibus, vans e buzinas. Dormimos em dois templos: um deles com um monge só, simpático e já de idade; e o outro sem monge algum, apenas com um senhor que dormia no salão do templo, à beira do Rio Mekong.
Noite tranquila e partida cedo. A estrada 13 ainda movimentada nos causava certo incômodo, pedalamos pela planície e vento forte contra, a cada vila que passávamos éramos saudados pela criançada, principalmente, que muitas vezes vinham até a nossa direção para nos tocar com a mão. Quando passávamos perto de escolas,então...virava festa! Rolava até alguns rachas com a molecada de bike.
Já no dia 31/12 víamos as casas enfeitadas e as pessoas se preparando para a virada do ano. Resolvemos esticar até uma cidade um pouco maior para fazermos nosso dia de descanso.
Paisagens entre rochedos, com algumas vilas e uma forte subida e depois uma íngreme descida foi o trajeto desde que pegamos a rodovia 8. Encontramos uma dupla de suíços que pedalava na direção oposta, não desenvolvemos tanta conversa, mas nos disseram que na fronteira com o Vietnã fazia frio e chovia e a próxima cidade maior adiante seriaNahin. Foi até lá que seguimos, uma forte subida (com cerca de 3 km) faltando 15 km para chegar e uma longa descida até a cidade. Fomos bombardeados para ficarmos em diversas Guest Houses, era nossa intenção ficar em uma delas, mas antes pesquisaríamos os preços e localização, queríamos sossego. Ficamos numa guest house afastada de toda aum pouco da muvuca e na virada do ano só ouvimos poucos fogos ao longe.

Algumas cidades visitadas: Luang Prabang, Phoukon, Kasi, Vang Vieng, Phonhong, Vientiane, Phaxan, Pakkading, Vieng Khoun, Nahin.

Dicas:

Equipamentos:
- porta-garrafas da Topeak – modelo para garrafas maiores quebrou, não suportou uma garrafa de 1,5 L na parte de baixo do quadro – duração = 1.300km;
- compramos em Vang Vieng uma bolsa resistente a água para colocar a barraca, existem as de pior e as de melhor qualidade variando de 60.000 kips a 130.000 kips é uma alternativa para quem necessita deste acessório.

Alimentação:
- uma boa opção de comida é o “arroz grudento” (stickyrice) além de outras comidas locais (pão - regiões mais turísticas), o arroz além de ser barato sustenta bastante para pedalar.

Acampamento e noites de sono:
- para os acampamentos selvagens (em locais públicos – como matas) no Laos é necessário pedir permissão ao chefe da vila (Nai Ban, em Lao), o mesmo após conceder a permissão irá protegê-lo de qualquer infortúnio;
- é possível encontrar muitas “Guest Houses” ao longo desse percurso que passamos, pois é uma rota turística interessante, não há opção para se acampar próximos amatas fechadas nas montanhas pois acima e abaixo da estrada há morro e mato e alta declividade;
- enquanto aguardávamos os vistos em Vientiane ficamos numa Guest House que não recomendamos: Youth Inn Guest House, baixa qualidade e tratamento nada receptivo.

Clima:
- frio nesta época do ano – é bom se preparar para o frio em locais com altitude de 500 m ou mais, normalmente faz frio de até 10° C.

Estradas:
- a 10 (desvio a partir de Phonhong passando por um grande rio e chegando em Vientiane) é uma boa opção para quem quer fugir do asfalto ruim e desfrutar das belezas do grande rio e mata que se encontra neste trajeto;
- muita atenção ao buscar estradas pelo Laos, muitas delas existem nos mapas, mas são estradas de terra, muita (mesmo!) poeira (época seca) ou lama (época chuvosa). Procure sempre se informar, pois mesmo de moto as pessoas evitam essas estradas;
- aestrada 13 de Vientiane a Vieng Khoun é movimentada em alguns trechos.

Telefonia e internet:
- é até mais barata que na Tailândia (chip 10.000 kip = 1,40 USD e ligação para o Brasil 0,30 USD/min);
- internet é facilmente encontrada na capital e em cidades turísticas.
Laos, a terra dos contrastes – de 15/12/2011 a 31/12/2011 – De Luang Prabang a Nahin.


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From 15/12/2011 to 31/12/2011 - from Luang Prabang to Nahin

Land of contrasts: that's the way we define Laos so far, because the country is marked by differences: plain = wealth, hot weather,  capital and larger cities;  mountains = poverty, countryside, cold weather.
Cycling across the country we found some temples in the city of Luang Prabang, we visited a big night market with cheap typical food and self-service, breads, cakes, handicraft (such as clothing, fabric and beverages). It's kind of a haven for foreigners, there were many of them buying and consuming a lot. For us, the supper, the pieces of cakes and breads for the next morning breakfast were perfect and enough.
We took a day of rest (we needed that!), after a boat trip and a tiring day of cycling.
There is lot of entertainment for nature lovers in Luang Prabang, such as sailing across the Mekong River, visiting waterfalls or riding on the roads in order to find beautiful landscapes and mountain views. We are in a season (mid-December) in which Luang Prabang has a cool daytime temperature and is slightly cold at night (15°C). For those interested in handicraft, art and the local food, we recommend the night market that is located in a busy region of the city, there are great typical dishes from the most common to the most exotic ones. Cycling in the city is another option. Didn't you bring your bike? (lol) No problem! - there are many Guest Houses where bikes are rented, so you can visit many places in the city that is nice and flat for cycling. Another transportation option is the very common "tuk tuk", you can take a tour around the city and visit waterfalls for a fixed price, quickly and without getting tired (you can find a tuk tuk anywhere).
On the way out of Luang Prabang, we cycled through some flat parts of the road and descents as well until we faced our very first challenge (the first of two): to cycle upward the famous mountains of Laos. From that moment on there were lots of slopes, we biked upward and then downward to the Mekong River, then upward again to reach a medium altitude of 1,400 m. From the roads we saw how everything was different in that region, there were few towns, only some villages in the middle of the dense forest built on steep slopes. It's almost impossible to farm in that area because the houses, made of dried  bamboo, are located between the hill and the road (which was in bad conditions due to the rain and landslides). We could observe the children who lived in those villages, many of them came toward us, or just remained where they were, but most of them waved their hands to us and said a few words in English or simply "Sabaidee" ("Hello" in Lao), some of them weren't dressed from the waist down (PS: It was very cold!!).
We cycled a lot on that day, it was almost 80 km of soft climb, but constant. Our Legs were tired and we couldn't find a place to camp, arriving in a village we found a French couple who were cyclists that came from Turkey and had already passed through countries we were going to pass through. We took the chance to get some tips, we chatted and laughed a lot of stories, sitting on a balcony in front of a magnificent view of the evening, it was cold and there was a lot of fog over the hills. In the evening, we had dinner together at a restaurant nearby and finally took some rest.
On the next day, we departed toward Phoukon, the slopes didn't allow us to go far, they were almost longer than the effective distance (lol). At the beginning, we descended a lot through the fog and a cold weather . The day we arrived in Phoukon was full...full of bargains at the market, cheaper food and beer in Laos served on the terrace of the house where we stayed. Camping was still our goal, but finding a place to do so was very hard in the tip of the mountains and in the forest.
Cycling from Phoukon to Kasi for 50 km was our goal so far, but this time the route was on our side: a long descent with stunning mountain peaks as the background. We descended from an altitude of 1,500 m to less than 300 m. In one of the greatest overlooks we visited we met some Thai people who took pictures with us. In Kasi we were informed that the route to Vang Vieng  would be flat, without descending slope, so we decided to proceed our journey. In Kasi we experienced a very different climate: hot and sunny. People themselves were more warm in welcoming us, not only children greeted us along the roads, but ladies and men did the same.
We cycled a lot on the way from Phoukon to Vang Vieng. What a very beautiful sight! On each turn on the road, the landscape looked more and more beautiful, mountain peaks in the horizon were getting closer and closer as we approached. Along this path we socialized, we met a Chinese boy, a Chinese lady, a Swiss couple and a Spanish called Fernando who we greeted from a distance and made us thinking: this is the "Latin blood" in greeting and warm welcome, PS: Everyone was in the opposite direction. It was with Fernando that we realized that our visa in China could last less than what we expected - just one month, renewable for another month, but we'll see ... We'll check that in Vientiane.
Near VangVieng, the Road 13 was in bad conditions; the road had parts paved with asphalt or stones and, some times, was dirt with dust. The traffic of cars and trucks was increasing little by little. The beautiful landscape continued passing by before our eyes and the camera lens. Some people had fun in the green and translucent waters.
VangVieng, another Laos`s city which was very visited by tourists who take the Luang Prabang - Vang Vieng - Vientiane route. Through this route is possible to pass across the wildest and most inhospitable regions - which is next to Vang Vieng and Luang Prabang. There are waterfalls, caves, rivers and it's possible to take a balloon flight in Vang Vieng , there are many natural attractions and transport options as well: like motorcycles, bicycles (rented) and, last but not least, the "tuk-tuk" which are paid to take you wherever you like. We took a day of rest in Vang Vieng, we washed some clothes and the rested our legs.
There was a lot of traffic on the way out of VangVieng. The road was still in bad conditions and it seemed to persist all the way to Vientiane: with dust and some pieces of rocks on it. We met a nice Australian cyclist couple had just come from Vientiane and had already passed through Cambodia. As we arrived in Phonhong, we had a meal and proceeded in search of a place to camp and water for bath. We headed to a large river, diverting a little of the road that would take us straight to Vientiane. We failed because the river was still far away from us and there wasn't any proper place to put up the tent among all those paddy fields. So, we tried to camp in a temple but we failed too. In the end, we ended up camping in a modest Guest House.
In a detour on the Road 13, we changed the route and finally cycled on a top quality asphalt road. On the other hand, we cycled about 20 km longer than if we had followed the previous route to Vientiane. Despite the fatigue, that was a good decision because we had a pleasant morning, the Road 10 wasn't busy all the time, just a little as we approached the villages.
We finally arrived in Vientiane! It was such a busy city, there were big palaces and monuments, temples and many young monks (children) who were walking on the streets handling their umbrellas or riding their bicycles. We stayed in a tourist area near the Mekong River to get the visas from Vietnam and China for just one month, which can be renewable, and to enjoy the city as well.
Knowing the city is quite interesting, because there are several monuments, temples and many history to be told, there are also typical food from other countries like the Malaysian and Indian cuisine, statues, the Patuxay (which is similar to the Arc de Triumph - France) located in wide and long Avenue (Lane Xang), the Ho Phra Keo, Sisaket - historical places of the country and the Buddhist religion which house museums with statues, many of them dating from the eleventh century, like the Khmer art - Ho Phra Keo and images and representations of Buddha - Sisaket. 
To depart from Vientiane, we took a detour to the Bhudda's Park, which was very interesting, with several Buddha's sculptures and others related to Hinduism. 
The last 3 km from Vientiane to the park, the road was in a very bad condition. We came back though this dust road and took another one that looked like a runway (straight and flat). It was paved with concrete and had three lanes for each direction, despite the very low traffic. Later, we cycled on a road named "450 years", very good road until we finally reach the Road 13 South. We were 60 km far from the capital of Laos when we found on the way a temple with two young monks.
The other three days though the Road 13 were monotonous - flat, hot and busy (there were more cars, buses, vans and buzzers). We camped in two temples: there was only one kind old monk in one of the temples and in the other one there were no monks, there was only a man who was sleeping in the hall of the temple, located along the Mekong River.
Nice night and an early depart. The Road 13 was still busy, which didn't take a lot of time to piss us off. We cycled across a flat land and against the strong wind. We were greeted mainly by kids who often came toward us to touch us with their hands. So, it's easy to imagine what happened when we passed by schools, it was like party! We ended up playing with them some time (bike race… lol).
On December 31st, we saw decorated houses and people preparing for the turn of the year. We decided to go straight to big city to take a day of rest.
Landscapes among rocks with some villages, a sharp slope and then a steep descent is the way we describe the path since we took the Road 8. On the way, we met two Swiss guys who were going to the opposite direction, we didn't chat that much, but they told us that it was cold and rainy in the border with Vietnam and that the nearest bigger city was Nahin. So there we went, we faced a steep slope (about 3 km) which was 15 km far from a long descent that would take us to Nahin. We found several Guesthouses to stay, but we intended to stay in only one of them, so we compared the prices and the locations, we wanted a quiet place. We stayed in a guesthouse far from the rush of the turn of the year (we could only hear some fireworks).
 

Some visited cities: Luang Prabang, Phoukon, Kasi, Vang Vieng, Phonhong, Vientiane, Phaxan, Pakkading, Vieng Khoun, Nahin.
 

Tips:
 

Equipment:
 

- The Topeak's bottle holder - The holder specified for larger bottles broke - It did not stand a 1.5 L bottle at the bottom of the frame - It lasted only 1,300 km;
- In Vang Vieng, we bought a water proof bag to carry our tent, there we could find the low and the high quality ones costing from 60,000 kips to 130,000 kips. Is an alternative for those who need this accessory.
 

Food:
 

- A good choice of food is the "sticky rice" and other local foods (such as bread, which is mostly found in touristic areas), rice is a great source of energy, besides the cheap price.
 

Camping and sleeping:
 

- For wild camping in Laos (in public places - such as forests), it's necessary to ask permission the village chief (Nai Ban). After being permitted, you will be protected from any misfortune;
- You can find many "guesthouse" along the way we passed across because that is an interesting tourist route. There is no option for camping in the mountains, there are dense forests, and steep slopes.
- While waiting for the visas in Vientiane, we stayed in a guesthouse which we do not recommend at all: The Youth Inn Guest House: low quality accommodations and bad service.
 

Climate:
 

- It's cold this time of the year - it's good to prepare for the cold in places with an altitude of 500 m or upper, it's usually cold up to 10 ° C.
 

Highways:

- Road 10 (there is a deviation from Phonhong and a river to cross to arrive in Vientiane). That's a good option for those who're looking for escaping from the road in bad conditions and enjoying the beauties of the large river and the forest;
- A lot of attention is required to cycle on the roads of Laos, many of them exist in the maps, but they are dirt roads, lots of them are dust (in dry seasons) or mud (in rainy seasons). Always try to get information, because even motorcyclist avoid these roads;
- Some parts of the Road 13 from Vientiane to Vieng Khoun are busy.


Telephone and Internet:


- It's even cheaper than in Thailand (Sim Card - 10,000 kip = $ 1.40 and a call to Brazil costs $ 0.30 / min);
- Internet access is easily found in the capital and tou.


 
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