Mostrando postagens com marcador dicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dicas. Mostrar todas as postagens

11 de fev. de 2013

Nossa odisséia não para!

 
De Barcelona, Espanha a Cazadero, EUA. De 29/12/2012 a 11/02/2013.

Já faz mais de um mês que partimos da Europa e chegamos aos Estados Unidos.
Para chegar aqui no Centro Budista, não foi lá das coisas mais fáceis não, principalmente nos últimos 20 km, com trechos de até 18% de inclinação. subindo, subindo... neste trecho fomos nos afastando do mar, mas sempre a vista do mar até os 500 m de altitude – incrível, até que em certo momento, no meio de parques e florestas, perdemos de vista o tão belo mar.


Ops, mas a nossa história não começa por aqui! De Barcelona pingamos em Amsterdam e chegamos finalmente no aeroporto de São Francisco: cansados, quase mortos pelo tal do “jetlag” - o sol não se pôs para nós naquele dia, não tivemos noite!!! Algum tempo para passar pelo controle policial na fronteira e estávamos nós, felizes, com as bikes e bagagens em mãos! Montamos tudo e, num cantinho do aeroporto dormimos até o dia seguinte. Dali seguimos rumo à cidade de São Francisco mas, infelizmente, por estrada proibida (freeway), vimos as placas quando já estávamos lá no meio da estrada e antes de pegarmos a saída da estrada um policial com seu alto-falante e sirene nos parou. O policial não foi dos mais simpáticos parecia mesmo um daqueles policiais meio panacas dos filmes. Mas seguimos suas instruções e em poucos minutos estávamos na cidade.
Passamos a virada do ano capotados na casa do Dan – outro Couchsurfer. No primeiro dia do ano, seguimos para Oakland de metrô, já que a ponte para chegar até lá não permite bicicleta. Fomos à casa do Michael, um amigo do amigo dos pais da Lila, e da Jill, sua esposa. Ele nos cedeu seu aconchegante estúdio, onde ficamos uma semana! Aproveitamos para fazer algumas compras e renovar o “guarda-roupas” para os próximos meses, já que nos próximos dias não teríamos mais a mesma vida nômade, passaríamos os dias numa comunidade budista.
Até chegarmos atravessamos a famosa ponte Golden Gate – me senti num filme de Hollywood! Depois pedalamos 2 dias pela estrada litorânea do Oceano Pacífico, onde vimos focas, gaivotas e outros pássaros bem diferentes do que estamos acostumados.


E cá estamos, magrelas descansando um pouquinho, mas nós seguimos suando a camisa nos trabalhos por aqui, nesta comunidade budista chamada Ratna Ling. Trabalhamos no projeto Yeshe De, o qual produz livros sagrados para serem doados para budistas na Índia (monges, monjas e pessoas comuns). O idealizador dessa magnífica expansão do budismo para o Ocidente, bem como da tentativa de não se perder estes conhecimentos valiosos, é o Rinpoche Tarthang Tulku, que mora num monastério chamado Odyan, que fica a 9km daqui. Podemos ver ao longe a cúpula do templo principal e de uma das estupas.
Além de muito trabalho, temos aulas e discussões sobre diversos assuntos relacionados ao budismo, bastante leitura e estudos. Mas também aproveitamos bem as folgas de domingo para sacudir as magrelas e as pernas pelas montanhas e florestas nesse paraíso de tranquilidade.


Em linha reta a costa do Oceano Pacífico fica a aproximadamente 7 km daqui, muitas praias mas muito diferentes das praias brasileiras mas mesmo assim muito bonitas. Estamos no meio de florestas pouco habitadas, muitas árvores, veados, pássaros e até peruas e perus selvagens. Mas nada de comer carne, já que o lugar aqui é vegetariano.
E agora me sinto mais leve após o susto e a cirurgia para retirada do apêndice. Mais uma vez o seguro VITAL CARD/SCHULTZ – nosso patrocinador, nos apoiou neste momento de dificuldade. Já estou de volta em plena atividade!

Algumas cidades visitadas: São Francisco, Oakland, Sausalito, Jenner.
 
Curiosidades:

- Nos supermercados, normalmente consegue-se pagar mais barato quando se compra embalagens tamanho gigante – uma boa para os gulosinhos e para famílias com mais de 10 membros – não é o nosso caso, e mesmo assim os preços ainda não são dos mais amigáveis;

- Os bairros normalmente são bem separados em residenciais e comerciais;

- É impressionante o cheiro de comida pelas ruas. O povo enche restaurantes e cafés até mesmo no café da manhã;

- Aqui parece que todos têm uma carro imenso! Umas caminhonetes tem até 4 rodas em um dos eixos! Haja bagagem!

Dicas:

Camping
- Nessa região, logo após São Francisco (80 km, aproximadamente), pela estrada número 1, é possível encontrar vários parques onde pode-se acampar (mesmo no inverno), pagamos 10 dólares (preço por barraca) num parque muito agradável;
 
- O inverno aqui na costa do Pacífico é frio (principalmente as manhãs – com geadas), mas por onde passamos não se vê neve, alguns pontos com rajadas de vento, as vezes;

- É bom se atentar aos trajetos por aqui pois tem muitas estradas (normalmente as “freeways”) que não permitem a circulação de bicicletas;

  VEJA MAIS FOTOS NO ÁLBUM EUA

28 de dez. de 2012

Tudo volta para onde começou


De Fès, Marrocos, a Barcelona, Espanha. De 30/11/2012 a 28/12/2012

Último capítulo desta primeira temporada, por isso merece algumas linhas a mais, não? Nas novelas, o último capítulo é cheio de revelações e emoções e nossa história não foi diferente, por ironia do destino, já que eu estava desejando que nosso último mês de pedaladas fosse de muita sombra e água fresca. Longe disso.
Já faz tempo que não postamos, então vale recapitular. Paramos em Fès e lá esperamos alguns dias até que o péssimo tempo melhorasse por ali e nos arredores. Muita chuva nas partes baixas e muita neve e frio nas montanhas. Até que este tempinho parado não foi ruim, não. Já estamos reduzindo a marcha, ao menos tentando.
Partimos sob céu azul e sol brilhante em direção ao Médio Atlas. De 400m de Fes, subimos até a cidade seguinte, Immouzer Kandar, a 1.400m. A neve foi surgindo aos poucos até que dominou completamente a paisagem. Apenas a estrada não estava coberta de neve, mas sim forrada de carros com famílias alegres de estarem vendo a primeira neve do inverno.


29 de nov. de 2012

Foi "fixi"


De Lisboa, Portugal a Fes, Marrocos. De 07/11/2012 a 29/11/2012.

“Fixi” foi o que mais ouvíamos dos jovens lisboetas e moradores de Lisboa, e quer dizer legal, “da hora”. E nossa estadia por Lisboa foi bem movimentada, entre muitos jovens, alguns estrangeiros como nós, outros não, todos na grande casa de Jêrome – francês morador de Lisboa que nos recebeu em sua casa-cinema-yoga-etc.. Tudo isso porque em sua casa além de receber estrangeiros ainda tinha tudo isso de atividades. Ufa! Foi agitado para nós!


6 de nov. de 2012

Terra à vista!


De Toulouse, França a Lisboa, Portugal - De 15/10/2012 a 06/11/2012

Ah, Toulouse, tantos quilômetros de onde estamos! Partimos da casa de Gérard e Thérèse já com saudade das longas e boas conversar, do bom vinho e do Cassoulet.
Seguimos em direção aos Pirineus, local de muitas disputas entre os ciclistas do Tour de France e lá estávamos nós, a 5 ou 6 km/h em um dos famosos passos pelo qual ciclistas de ponta sobem a mais de 30 km/h! A inclinação era grande, mas o que pegou mesmo foi o vento! Rajadas de vento incrivelmente fortes nos desequilibravam da bike, mesmo com o peso de toda a bagagem. No primeiro passo, a 1.350m, o vento era tanto que tínhamos que gritar para conversarmos e decidirmos o que fazer: continuar até o segundo passo, a mais de 1.500 m ou descer e buscar abrigo naquele fim de tarde? Nenhuma garantia que no dia seguinte o vento seria mais fraco e o céu estaria limpo, mas a previsão era de chuva, então decidimos acabar logo com esta dura etapa e seguimos. Estrada quase deserta, sem cidade, sem casas, sem nada, só o barulhento vento, silenciosas montanhas. E nós. Incrivelmente o vento diminuiu e passamos o segundo passo com mais tranquilidade, alívio e felicidade. Aquele passo marcou nossa travessia da França para Espanha, e que passagem! Tão duro quanto a relação do povo daquela região basca com seus governos. Ainda na França, as placas eram bilíngues – francês e euskara (idioma basco), língua única, não similar a nenhuma outra no mundo. A única palavra que aprendemos é elisa, que significa igreja.


10 de ago. de 2012

Vento de Oeste



De Batumi a Istanbul – de 21/07/2012 a 11/08/2012


Após a rápida e simples entrada na Turquia, seguimos pela costa do Mar Negro sempre com vento de oeste, ou seja, contra, o que dificultava bastante a pedalada. Acampamos a primeira noite na praia, onde nos banhamos pela manhã e tiramos o sal com águas da montanha. Apesar de toda essa mordomia, as noites à beira mar foram muito quentes dentro da barraca e difíceis de dormir. Logo desviamos para as montanhas, pois pedalar o dia todo à beira do mar é torturante, já que o mar está ali o tempo todo e só o que se quer é ficar dentro dele e não fora, mas desse jeito não chegamos a lugar nenhum, a não ser que troquemos as bikes por pés de pato. Então nos despedimos do mar, por hora, e subimos até 2.200 m. Antes disso, descansamos um dia em um vilarejo – Alancik - acampados no quintal de uma simpática família e aproveitamos a proximidade com o rio para nadar. Ainda vento de oeste.
No caminho, tivemos contato com árvores de avelã! Que novidade para nós. Ganhamos um saco repleto delas e temos nos deliciado com os cremes de chocolate e avelã que comemos com pão. Aliás, pão aqui é o que não falta, de todos os formatos e tamanhos, os quais são expostos em vitrines de vidro. Outra comida farta por aqui são os pêssegos imensos, laranjas e suculentos! Ganhamos quilos e mais quilos! As macieiras, tomateiros, uveiras, pereiras e ameixeiras também estão pesadas de tanto fruto.


Ao longo do dia nos deliciamos com tudo isso, mas somente nós, pois grande parte dos turcos está fazendo o Ramadan. Durante 30 dias eles fazem jejum e só comem e bebem (e fumam, os fumantes) quando o sol nasce e quando o sol se põe. Neste ano o Ramadan é bem no verão, o que significa 17h sem colocar nada dentro do corpo! Presenciamos várias famílias praticando o Ramadan e certa angústia ao olharem o relógio e a alegria quando é hora de comer e beber. Essa não é uma hora muito feliz para mim e para o Marcos, pois o anúncio é feito no mosteiro e emitido pelas dezenas de megafones, em altas torres, espalhados pelas cidades e vilarejos. Então, lá pelas 4h da manhã, quando estamos perto de uma das torres com megafone (quase sempre, pois há muitas, acredite!), acordamos e só dormimos quando o anúncio termina. Nestes últimos dias isso significa mais de 10 minutos cantando e entoando frases religiosas. Bom, mas deixemos isso pra lá e falemos um pouco mais sobre o Ramadan. É uma prática muçulmana que, segundo eles, é um período para reflexão, ajuda a limpar o corpo, e ensina o autocontrole e disciplina, entre outros benefícios. Claro que nem todos podem fazer esta prática, como pessoas debilitadas ou que estejam viajando, por exemplo.
A caminho de Istanbul, encontramos uma dupla francesa, Thomas e Marian, com quem pedalamos um dia, no qual, segundo o bem humorado Thomas, parecia que estávamos pedalando contra um imenso secador de cabelo. Vento contra incrivelmente quente! À noite, fizemos um grande acampamento à beira do rio. Infelizmente nos despedimos na manhã seguinte, pois eles tiveram de pegar um ônibus até a capital, Ancara, onde um deles pegaria um avião para a França.


Após 750 km, paramos em Bolu, onde ficamos na casa do Yasin, que também já viajou bastante pelo mundo a fora. Ficamos um dia para esticar as pernas e, finalmente, decidimos parar por uns dias na grande e bela Istanbul. Seguimos mais 300 km por estradas secundárias e mais silenciosas até chegarmos a Yalova, cidade na costa, oposta à Istanbul, onde pegamos um barco até a muvuca, ou para ficar mais bonito, a antiga Constantinopla, antiga capital do império Bizantino. Esta é a última cidade na Ásia, pois parte desta cidade fica neste continente e parte fica na Europa. A divisão dos dois continentes é feita pelo estreito de Bósforo, que liga os mares Negro e Marmara. Os vestibulandos vão adorar esta postagem, não? Só mais uma: a capital da Turquia é Ancara! Fácil de confundir... tantas pessoas ficam assustadas quando falamos que a capital do Brasil não é o Rio de Janeiro e nem São Paulo!
Em Istanbul, ficamos hospedados na casa do Kerem, ciclista que já recebeu dezenas de ciclistas do mundo inteiro. Para nossa surpresa, ele estava viajando, mas deixou a casa sob responsabilidade do Thomas, francês que conhecemos na estrada. Então, ficamos eu, Marcos, Thomas, sua irmã Clara, seu namorado Fabian e Sam, inglês que também encontramos na estrada e que pedalou muitos quilômetros junto com Thomas antes de nós! Uma república internacional, muito divertido!
Em Istanbul, nos juntamos a outros milhares de turistas e fomos passear pela parte antiga da cidade. Nunca tínhamos visto tantos turistas em uma só cidade! Visitamos mosteiros, castelos e o grande bazar coberto, onde paramos para apreciar uma vitrine com joias de ouro. Mas nosso interesse não eram as joias, mas sim as diversas bandeiras do Brasil lá expostas. Logo um senhor veio nos cumprimentar e perguntou, em bom português, se éramos brasileiros. Oscar era o seu nome, descendente de turco, poliglota (fala “apenas” 8 línguas fluentemente, além de outras que usa para vendas, somente) e que mora há 30 anos em Istanbul. Tomamos um delicioso chá de maçã e seguimos pelo labirinto do grande bazar. Istanbul é realmente uma cidade fascinante e cheia de surpresas!
A viagem pela Ásia terminou por aqui. Agora seguiremos para o outro lado do Estreito de Bósforo, na Europa, em direção à Bulgária e esperemos que os ventos continuem nos trazendo boas experiências!

Algumas cidades visitadas: Trabzon, Giresun, Amasya, Bolu, Yalova, Istanbul.

Curiosidades:

- Os homens, ao se cumprimentarem, dão as mãos batem a testa, primeiro um lado e depois o outro.

- Muitas cidades aproveitam das torres com caixas de som para fazer anúncios sobre atividades que são promovidas pela prefeitura. Tem até algumas cidades que anunciam mortes e o horário do enterro!


Dicas:

- As estradas maiores costumam ter bons e largos acostamentos mas costumam ser bastante movimentadas; alternativa como buscar estradas menores tornam as pedaladas mais agradáveis e interessantes;

- O verão na Turquia é bastante quente, especialmente ao longo das costas (norte e sul). O inverno é bastante frio e tem muita neve;

- Chegar em Istanbul pedalando é um tanto insano. Atravessar a ponte que liga a parte europeia da asiática é proibido para ciclistas, apesar de alguns ciclistas terem feito isso aos olhos dos policiais, mas é muito perigoso, pois não há acostamento. O ideal é ir até o Estreito de Bósforo e pegar um dos ferry boat. Para sair de Istanbul em direção à Ásia ou chegar de lá, há diversas cidades ao longo da costa do Mar de Mármara que tem ferry boats para Istanbul, onde só é preciso encostar as bikes em um canto, nada de empacotar e etc. A cidade mais próxima de Istanbul onde se pode pegar o barco é Yalova. Pagamos 11 Liras turcas (7 USD) pelo barco – 6 pelas bikes e 5 para nós;

- Em Istanbul, há bom transporte público, com trens, ônibus e barcos. Este atravessa o estreito de Bósforo, saindo e chegando a diversos portos espalhados pela costa.

- Vá preparado para gastar um pouco de dinheiro, caso vá fazer turismo em Istanbul. As entradas são um tanto salgadas - 20 Liras (11 USD) em dias de semana e 25 Liras nos finais de semana. Algumas atrações como o Blue Mosque, são de graça.

Veja mais fotos no albúm

9 de jun. de 2012

Um “merci” à história persa

De 25/05/2012 a   09/06/2012 – De Teerã a Shiraz


“Merci” quer dizer obrigado em farsi, a língua oficial do Irã, assim como em francês. A língua, assim como outras formas de expressão como a arte, a música, a religião sofreram influência de diversos povos, portanto não será difícil ouvir expressões e palavras de origem francesa (“merci”) e árabe, por exemplo. Aqui foi o berço da civilização persa e possui ainda muitos traços das antigas civilizações. O povo iraniano é acolhedor, amigável e talentoso em receber visitas em suas casas, por isso e por muitas outras razões iremos dizer muitos “mercis” ainda. Talvez tudo isso seja uma herança de Ciro o grande e todo o seu respeito aos povos com suas diferentes culturas durante seu reinado.
Nossas pedaladas começaram a partir do aeroporto internacional de Teerã - Imam Khomeini, já distante 35 km da capital: “Ufa!”, parece que Teerã não tem um bom trânsito para bicicletas. Foram cansativos os preparativos para o voo de Tashkent para Teerã: bicicletas e bagagens a serem empacotadas, noite no aeroporto... mas enfim tudo terminou bem.
Montamos nas bikes e seguimos por 20 km até pararmos para dormir no segundo andar de uma lanchonete, onde um ratinho correu pelos cantos, mas nada demais, demos um jeito de montar a barraca ali mesmo, e deu certo! No dia seguinte ao acordarmos vimos barracas montadas do lado de fora da lanchonete e tudo estava diferente: a maioria das mulheres todas cobertas com roupas pretas (chador), a língua farsi e as comidas. Mais alguns quilômetros rodados e descobriríamos que é comum os viajantes pararem em locais próximos a estrada reservado para camping e piquenique, normalmente estes locais são próximos às entradas das cidades. Algumas vezes vimos multidões de pessoas acampando e fazendo piquenique de dia, de noite e de madrugada.


Nossa primeira etapa de pedalada foi até a cidade de Shahin Shahr, passando por Qom – uma das cidades mais religiosas do país por ter escolas de teologia e filosofia e ser a cidade de formação do principal líder do país nos tempos modernos – diferente, e confesso que ficamos um pouco acuados, pois estávamos e éramos bem diferentes por ali. A passagem por Kashan foi muito agradável, pois no caminho até lá conhecemos Reza, que se tornou um grande apoiador da nossa viagem e amigo. De Kashan, Reza nos levou até Qamsar, pequeno vilarejo onde dormimos. Conhecemos a interessante fama de Qamsar ser um vilarejo que produz água de rosas para o uso regional e até internacional, muito utilizada no setor alimentício e cosmético.


Conhecemos Kashan: jardins, mansões, bazares e também provamos o kebab iraniano. Fomos até Abyaneh – antiquíssimo vilarejo no meio das montanhas com cultura, língua (antigo persa), religião (zoroastrismo) e hábitos muito peculiares e diferentes do iraniano, quase outro país. Com mais de 5.000 anos de existência, o difícil e talvez inimaginável acesso a este vilarejo fez com que o mesmo ficasse isolado e desconhecido por muitos anos de modo a preservar sua antiquíssima cultura até os dias de hoje, sem a influência e o contato com as grandes civilizações dominantes na época.


De Qamsar (1.700 m de altitude) optamos pela estrada no meio das montanhas para chegarmos a Shahin Shahr, cidade vizinha à famosa Esfahan – “Esfahan nesf-é jahan” – “metade das belezas do mundo”, como disse Renier no século 16. Cruzamos vilarejos no meio das montanhas e chegamos aos inesperados 2.740 m de altitude. Mais um dia e estávamos em Shahin Shahr na casa de Sina e sua família, outro grande entusiasta e apoiador de nossa viagem, que nos levou para conhecer as belezas de Esfahan, como o Jameh Mosque, Sheikh Lotfallah Mosque, Eman Square, Eman Mosque, a Ponte Si-o-Se, o Bazar-e Bozorg, o Palácio Chehel Sotum e outros! Mas as amizades e a hospitalidade do povo iraniano não param por aí: Navid e Malihe em Yazd e Marjan e Mehdi em Shiraz, todos eles tem sido grandes apoiadores e companheiros ao longo da nossa jornada.
Nossa viagem sobre duas rodas deu um tempo para podermos explorar um pouco além do que iríamos explorar sobre duas rodas. Deixamos as bikes em Shahin Shahr e fomos de ônibus para Yazd e Shiraz, importantes cidades com historias riquíssimas e calor, muito calor! Yazd é uma das cidades mais antigas do mundo, é o centro do zoroastrismo e fica entre dois imensos desertos, o Lut e o Kavir. Já em Shiraz, uma das grandes atrações é Persépolis, local que foi o símbolo do Império Persa sob o comando de Ciro o Grande e depois de outros grandes imperadores como Dário I e Xerxes I e que, por fim, acabou nas mãos de Alexandre o grande que incendiou parte do complexo quando conquistou a Pérsia. Persépolis tinha como um dos objetivos reunir diferentes povos conquistados (com amplo salão para convidados), ao longo do império persa, através de festividades como o Nauryz ou Nauroz – evento de celebração da chegada da primavera (por volta de 21 de Março) e também guardar alguns artefatos preciosíssimos. Eram tantos que Alexandre o grande precisou de cerca de 3.000 camelos e mulas para colocar tudo aquilo para fora de Persépolis. Além de Persépolis visitamos as tumbas de dois dos maiores e mais famosos poetas iranianos: Hafez e Sadi, envoltas por esplêndidos e agradáveis jardins; próximo a Persépolis fomos até as impressionantes tumbas ditas serem de Dario I, Dario II, Artaxerxes I e Xerxes I no meio da montanha com escritas cuneiformes e com belas ilustrações esculpidas na montanha, realmente impressionante!
 

Nossa caminhada segue com nosso retorno a Esfahan para daí seguirmos pedalando na parte oeste do país, ondea ainde veremos outras cidades e locais históricos, belas paisagens e esperamos fazer muitas outras amizades também!

Algumas cidades visitadas: Qom, Kashan, Qamsar, Abyaneh, Meimeh, Shahin Shahr, Esfahan ou Isfahan, Yazd e Shiraz.

Dicas:

Dinheiro:
O dinheiro oficial do país é o Rial, mas a grande maioria das pessoas usa Toman, que é 10 vezes menos que o Rial. Então é sempre bom confirmar se o valor está em Toman ou Rial. É possível trocar dinheiro (dólar por rial) em bancos ou em escritórios de troca oficiais, o primeiro possui valor desvantajoso e as vezes cobram comissão, já nos escritórios o valor costuma ser vantajoso.

Alimentação:
- É comum alimentos como: chá preto, pães enormes redondos e bem finos, iogurtes salgados, iogurtes com água e hortelã, arroz com açafrão, hortelã, salsa, melão e melancia. Alguns fast foods são bem populares em algumas regiões como o hamburger e a pizza.

Acampamento e noites de sono:
- É possível encontrar espaços, normalmente nas entradas das cidades, onde viajantes param para dormir à noite (ou até mesmo de dia).

Clima:
- Faz calor de mais de 30°C nesta época do ano, especialmente no sul do país. Nas montanhas o clima tem sido mais ameno.

Estradas:
- Existem opções como as highways, com acostamento, que cruzam o país de norte a sul saindo de Teerã até o Golfo Pérsico assim como de leste a oeste. Rodamos por algumas highways como também por estradas menores, normalmente as menores (quando existe opção para seguir pelas menores) têm paisagens mais belas e exóticas;
- Áreas de descanso são muito utilizadas à beira dos desertos nas grandes rodovias: com lojas de comida, água gelada, restaurantes, mosteiro e posto de gasolina.

Internet:
- Muitos sites são bloqueados, como facebook, blogspot e qualquer outro que tenha alguma palavra filtrada pelo governo;
- É comum encontrarmos internet wi-fi nas casas.

Vistos:
Irã: Muitas nacionalidades podem aplicar sem convite (LOI – letter of invitation), mas com isso o processo é mais rápido na embaixada ou consulado. Adquirimos o convite em 10 dias, por meio da agência Stan Tours por 55 USD´cada. Após recebermos o código por email, fomos ao Consulado do Irã em Bishkek, Quirguistão, com duas fotos (mulheres devem estar com a cabeça coberta), cópia do passaporte e preenchemos um formulário. Eles solicitaram seguro viagem, então entregamos uma cópia do nosso seguro. Caso não tivéssemos, eles nos indicariam uma agência que providenciaria um seguro para o Irã.

Extensão do visto iraniano: Dizem que o melhor lugar para extensão de visto é Shiraz. Realmente foi muito fácil. Duas fotos, cópias do passaporte e visto iraniano, formulário e pagamento de 300.000 Rials (18 USD) num banco próximo e só. Conseguimos 30 dias a partir da data de vencimento do primeiro visto.

Curiosidades:
- Voltamos a ver (desde o Brasil não víamos) as pessoas usando xícaras;
- O garfo e a colher são bastante utilizados nas refeições, uma mão segura o garfo e a outra a colher, sem faca;
- As pessoas tem o costume de jantar às 23hs - 24hs, principalmente nesta época do ano (verão);
- Os parques ficam cheios nas madrugadas. As famílias sentem-se ou deitam-se nos gramados para conversar, comer muita melancia, pepino e tomar sorvete, muitos também se divertem jogando bola e brincando no lago. Os iranianos dizem que isso é a única diversão no país, pois o álcool é proibido e não há baladas. 
- É comum entre os homens usar barba e bigode, até que tenho me disfarçado bem como iraniano;
- Dentro dos ônibus municipais as mulheres sentam-se na parte de trás dos ônibus e os homens na parte da frente;
- É comum ver fotos de mártires da Guerra entre Irã e Iraque pelas ruas e também dos grandes líderes religiosos do país;
- Eles fazem muitas piadas e brincadeiras entre si: como com pessoas de outras cidades e regiões e com diferentes sotaques;
- É obrigatório o uso do lenço na cabeça por todas as mulheres, inclusive estrangeiras, apesar das regras serem mais flexíveis para estas;
- Existe uma cidade – Abadan que é fascinada por futebol, especialmente o futebol brasileiro, os uniformes, o brasão do time tem todos com as cores brasileiras.

VEJA MAIS FOTOS NO ÁLBUM 

13 de mai. de 2012

Isolados no Quirguistão, acompanhados no Uzbequistão


Estamos em Tashkent – capital do Uzbequistão!
Nossa jornada segue após a exótica e surpreendente passagem pelo Quirguistão. De Bishkek, capital do Quirguistão, seguimos em direção ao famoso Lago Issyk-Kul, de águas salgadas e não congeláveis, o segundo maior lago alpino do mundo, ficando atrás somente do Lago Titicaca no Peru.
Nossa passagem por aqui não tem sido solitária, cada vez mais as pessoas têm participado da nossa longa história. De Bishkek a Tashkent estivemos e ainda estamos na companhia de muitas pessoas para tomar uma xícara de chá e ouvir - de onde vocês são? (”At cuda?”), se somos casados, se temos filhos, etc. e também para conversar sobre coisas interessantes, filosofar, pensar sobre cultura, sobre a vida, política. Recebemos muitos convites para dormir e comer em suas casas. Isto tem sido uma experiência muito rica para nós!




O Quirguistão nos tirou o fôlego – pelas quase intermináveis montanhas e pelas paisagens sensacionais! Tivemos até um surpreendente encontro com um brasileiro – Breno e sua companheira tcheca na cidade de Toktogul. Bebemos muito chalap – bebida derivada do leite com gás e sal e comemos muito pão, macarrão e embutidos, além de banhos no rio. Muitos momentos bons, como também momentos difíceis, como a pedalada até o topo do Passo Ala Bel – 3.175 m. A quase 2.400 m de altitude já nevava e próximo aos 2.000 m pegamos uma dolorida chuva de pedras de gelo. Bom, depois da subida vem a descida, como já esperávamos: fria, muito fria, no início com neve e depois chuva. Tivemos um momento raro na presença de uma grande águia que circulava pela montanha – o Quirguistão também é bem conhecido pelas exóticas águias.

As cidades e vilarejos do Quirguistão eram menores do que imaginávamos, em alguns vilarejos não conseguíamos encontrar nem um pequeno mercado, mas como muitas vezes estocávamos comida conseguíamos nos virar bem com pães, embutidos de carne, margarina, macarrão, tialap, refrigerante de pera local, leite condensado, uva passa e bolachas, pensamos em carregar ovos para fritar, mas as estradas de terra e pedra por onde passamos dificultava, pois corríamos o risco de perder os ovos por quebrarem no caminho.
Bem, o restante sobre o Quirguistão deixaremos para as fotos, as imagens falam por si! A fronteira com o Uzbequistão passando por Uchkurgan-Uzbequistão foi vazia (depois descobrimos que ela não está aberta para pessoas do Uzbequistão atravessá-la e já a primeira pessoa que encontramos na beira da estrada pediu para tirar foto conosco, aliás, fotos não faltaram, algumas vezes tiravam fotos e antes de partirem nos presenteavam com um pão, água. Aconteceu (e não foi somente uma vez), de diminuírem a velocidade de seus carros para nos perguntar de onde éramos ou simplesmente encostavam o carro para tirar fotos, ficando surpresos quando falávamos que éramos brasileiros, e diziam: “football...kaka...ronaldo...pelé” e as vezes não sabiam se o Maradona e Messi eram brasileiro (rs). Até participamos de uma festa de casamento típica do Uzbequistão a convite da Gulnora e sua adorável família! Muita dança, comidas – o famoso e tradicional plov uzbeq, pastéis de carne, doces, chá verde, discurso e muita curiosidade de todos para saber sobre nós. Fotos? Também não faltaram!
Na saída de Torakurgan – cidade do casório, saímos caminhando pelo vilarejo junto com Gulnora e fomos rodeados por muitos, muitos curiosos, tantos que a polícia teve que intervir, pois o trânsito estava impedido com tanta gente no meio da rua.


Diferente do Quirguistão, não está sendo fácil acampar no Uzbequistão, pois aqui é bem povoado! Normalmente pedimos para armar a barraca em suas varandas como fizemos numa comunidade agrícola próximo à cidade de Pop, montamos a barraca sob uma bela parreira de uva e na beira de um canal no qual nos banhamos. De manhã ganhamos iogurte feito na hora com leite da vaca dali mesmo e uma garrafa de chá preto. A partir dali era só diminuir as marchas da magrela para mais uma longa subida: 50 km até 2.200 m de altitude (e vejam só: estávamos a apenas 480 m de altitude). Chuva novamente, mas enfim subimos e descemos até certo ponto e fomos convidados por Tashtemer - pedagogo entusiasta com o povo e cultura islâmica e uzbeq para dormir em sua casa, conversamos (gesticulando e tentando falar algo em russo) bastante, jantamos e dormimos, dia seguinte foi a puxada final até Tashkent onde agora nos encontramos na companhia de Farhod, Rano, Azmat e Sardor (família de um coração gigante), mas antes de encontra-los via www.couchsurfing.org fomos convidados para passar uma noite na casa da família de Lola, sua filha Aziza e seu filho Sanjarbek, muito agradáveis e simpáticos! Banho quente e comida deliciosa!
Agora, aqui estamos em busca de novos caminhos!



Algumas cidades visitadas: Tokmok, Balikchy, Kochkor, Chaek, Sussamyr, Toktogul, Karakul, Tashkomur – Quirguistão; Uchkurgan, Namangam, Torakurgan, Chust, Angren, Tashkent – Uzbequistão.

Curiosidades:

- O povo uzbeq é muito curioso para conhecer estrangeiros;

- O povo uzbeq gosta muito de ajudar as pessoas e ser ajudado;

- O burro é muito utilizado no Quirguistão e Uzbequistão para o trabalho no campo e transporte, mas um burro bem mais peludo que no Brasil;

- Nos campos mais isolados ou mesmo nos vilarejos criam-se muitos carneiros e cabras e somente um pouco de vacas;

- Ouvimos, mas não conseguimos ver vários deles: pássaros diferentes do Brasil, um deles é o “Cuco”;

- No Quirguistão vimos muitos poços d’água na beira da estrada nos vilarejos. Muitas pessoas pegam essa água para beber e usar no dia-a-dia já que água encanada é difícil de encontrar;

- Os banheiros no Quirguistão e no Uzbequistão também são fora da casa – valas sem encanamento para o esgoto, em sua maioria, exceto nas capitais;

- Trocamos 40 dólares por Uzbek Som e recebemos um saco de dinheiro – a nota com maior valor por aqui equivale a 0,5 USD. Por isso é comum ver pessoas com sacos  e bolos de notas;

- Vimos os famosos nômades do Quirguistão já próximo a Toktogul em suas cabanas chamadas yurt.

Dicas:

- Pedalamos no Quirguistão no final de Abril e o clima estava agradável nos locais mais baixos (até 2.000m, mais ou menos), mas com chuva fraca em alguns locais. Na subida para o passo Ala-Bel (3.175m) pegamos chuva, chuva de gelo, neve e vento;


- Entramos no Uzbequistão por Uchkurgan, onde trocamos “Kyrg Som” por “Uzbek Som” por uma taxa muito mais vantajosa que a oferecida em Tashkent, onde eles não têm interesse pela moeda do Quirguistão. O local de troca é o mercado (bazar) da cidade e basta gesticular que quer trocar dinheiro. Não há local oficial para troca. A taxa de troca varia muito de cidade para cidade;

- Em Tashkent, os bancos trocam Dolar por Som por uma taxa muito pior que a oferecida nos bazares (“mercado negro”). Enquanto os bancos ofereciam 1.890 Som (valor próximo ao oficial) por 1 USD, o mercado negro oferecia 2.800. Não encontramos bancos vendendo dólares e o preço deste no “mercado negro” é alto;

- Hotéis 4 e 5 estrelas em Tashkent têm ATM Visa e Master, dos quais é possível sacar Som ou Dólar, além de oferecerem wifi livre no lobby – exemplos: Grand Mir e Intercontinental;

- Contatamos um rapaz, Philipp, que possui uma loja de reparo de bicicleta. Não sabemos quanto à qualidade do serviço, pois não usamos, mas achamos uma peça de bicicleta que precisávamos. Telefone: (+998) 91112344;


- A fronteira em Uchkurgan estava vazia e não tivemos problemas. Do lado do Quirguistão há apenas pequenos vilarejos rurais. Vimos um hotel a 5 km da fronteira, no Quirguistão. 


Vejam mais fotos nos álbuns Quirguistão e Uzbequistão.

4 de abr. de 2012

Feliz ano novo de novo!

Posted by Marcos

De 20/03/2012 a 04/04/2012 – De Urumqi, China, a Almaty, Cazaquistão.

Aqui é ano novo de novo! Nosso terceiro ano novo desde novembro de 2011! Dia 22/05/2012 comemora-se o ano novo pérsico, junto com a chegada da primavera, e aqui estamos nós!
Depois de muita confusão devido ao feriado de Ano Novo Persa (Nauryz): ficamos 3 dias em Huoerguosi, na fronteira da China com o Cazaquistão, esperando abrirem-se os portões. Quando finalmente se abriram, muitos empurrões (até suamos, o que não é muito fácil nesse frio todo), simplesmente porque não se fazem filas; e para entrar no Cazaquistão, alguns metros dali do portão de checagem da China, nos impediram de ir pedalando. Somente de ônibus poderíamos atravessar, o que nos custaria 50 dólares (uma pechincha, não?), pagamos o que tínhamos no bolso, um pouco de Yuan e um pouco de Tenge, no final nem sabemos ao certo quanto pagamos, só sabemos que depois de muita chiadeira nossa conseguimos pagar quase metade do valor inicialmente cobrado, que era um absurdo – 5 minutos percorridos em um ônibus para 40 pessoas mas onde tinham 70. Após tudo isso, passamos tranquilamente por militares que viam nosso passaporte brasileiro e brincavam: “futebol, Ronaldo, Rio de Janeiro”.
Percebemos logo nas primeiras pedaladas como muita coisa estava diferente, as paisagens, as pessoas, as comidas, as estradas, o tempo (não apenas as pelas 2 horas a menos em relação a China). Passamos os dias mais isolados da viagem (até o momento) por quilômetros de paisagem com vegetação do tipo taiga – os famosos pastos do Cazaquistão, montanhas com neve ao fundo e na companhia de ovelhas, vacas, cavalos, burros e camelos, isso mesmo camelos!


De repente, no meio dessa imensidão toda, um cânion, uma garganta, rios bem secos e outros bem turbulentos sendo abastecidos pelas montanhas de gelo conforme a neve ia derretendo. Vimos cemitérios à beira das estradas, muitas vezes um tipo de mosteiro exuberante anunciava ser ali um cemitério.


Nas estradas é engraçado, basta ouvir um assobio de longe e olhar para ser cumprimentado com um erguer de braço ou, quando próximos, com um aperto de mão. Algumas vezes o jeito de “conversar” (se é que conseguimos conversar) e cumprimentar nos faz imaginar que somos amigos de longa data. Muitos carros antigos, da década de 90 e vários de fabricação russa circulam pelas estradas, como se tivéssemos voltado no tempo. As vilas são rústicas e as casas são rodeadas com cercas bem baixas e, engraçado, a maioria dessas cercas era azul, talvez para representar a principal cor da bandeira do país.
As comidas estão sendo muito bem aproveitadas, pois caíram bem no nosso gosto e necessidade: pães, queijos e diversos derivados do leite, embutidos de diversos tipos de carnes (inclusive cavalo), kebab (uma pilha de carne em um espeto vertical gigante), os pastéis (assados ou fritos com recheios de abobrinha, batata, repolho, carne de boi, ovo, e outros), e claro não podemos nos esquecer da maçã. Dizem que no Cazaquistão, especialmente na Província de Almaty (alma ata – pai das maçãs) é um dos centros de origem da maçã, pode-se encontrar algumas verdinhas por um preço melhor, 150 tengs/kg = 1 USD, e são deliciosas! Em alguns vilarejos vimos que parece haver grave escassez de água, com jarros de água no lugar das torneiras já secas.

E finalmente, após alguns dias de pedalada, chegamos em Almaty, para decidir os vistos para os próximos países e também conhecer a cidade grande por aqui, porque não? Cidade realmente grande com muitas opções de lazer, para quem gosta de fazer compras (de artigos esportivos – esqui, mountain bike, camping a artigos de luxo), passear nos parques e praças (são grandes e numerosos), conhecer as belas igrejas católicas e mosteiros ou tomar um café ou chá com leite nos badalados cafés das grandes avenidas.


Nem Rússia, nem Azerbaijão e nem Uzbequistão (pelo menos agora), mas Quirguistão: nosso próximo destino!

Algumas cidades visitadas: Almaty, Koktal, Zharkent e Chilik – Cazaquistão; Yining e Huoerguosi - China

Curiosidades: o russo é a segunda língua mais falada no país, e sua pronúncia é similar ao português o que facilita o uso do livro de frases úteis, porém o alfabeto cirílico complica a leitura; muitas pessoas usam dentes de ouro; fui cumprimentado diversas vezes com as duas mãos ao redor da minha; leites e derivados com mais gordura são mais caros; vi homens se despedindo ou se cumprimentando com beijos no rosto; há carros com volante tanto do lado direito quanto do lado esquerdo; aqui se bebe chá com leite.

Dicas:

Hotéis em Almaty: não existe opção barata, o mais barato que encontramos foi o Hotel Saulet – 20 USD por pessoa, quartos bastante simples com banheiro, mas chuveiro separado, atendimento razoável, café da manhã simples e com Wi-Fi por 500 tenges (3,5 USD por 3 horas) o qual não estava funcionando, as bicicletas tiveram que ficar amarradas no primeiro andar por 200 tenges/bicicleta/dia = 1,3 USD.

Bicicletarias: 4 lojas da Extremal – mecânica e algumas opções de equipamentos e artigos esportivos; Urban Athletic – mecânica e várias opções de peças e artigos esportivos.

Visto para o Quirguistão em Almaty (turismo, 30 dias) - não foi necessária carta convite (letter of invitation – LOI). Havia duas opções para o prazo de liberação do visto: normal - expedido em 2 semanas por 65 USD e o expresso – de 1 a 3 dias por 115 USD. Sem comentários. Pagamos em tenge e o visto ficou pronto em 2 dias.

É sempre bom se informar a respeito de feriados no mês de aplicar o visto ou para passar por uma fronteira, pois pode haver atrasos por paralisações.

No trecho Khorgos – Almaty as cidades e vilarejos são distantes, com até 80 km de distância entre um e outro seguindo pela estrada principal, por isso é conveniente preparar um leve estoque de comida e água.

No portão da fronteira do lado chinês pode-se comprar tenge com facilidade por uma taxa de câmbio razoável, já que há muita concorrência entre os cambistas. Não vimos nenhum tipo de troca oficial.

Registro: não há registro na fronteira e tivemos que nos registrar em até 5 dias em Almaty. Demorou 5 minutos para registrar no escritório da policia (OVIR). No hotel Saulet, nos indicaram uma agência de viagens que cobraria 1.000 Tenges (6,5 USD) por registro. Não são todos os países que precisam se registrar.

20 de mar. de 2012

China abaixo de zero!

Posted by Marilia

De 05 a 20/03 - De Xuyong, Sichuan a Urumqi, Xinjiang Uyghur

Aqui segue uma postagem diferente, pois desde a última postagem, em 4 de Março, só pedalamos na estrada um dia! Pois é... chegamos à parte burocrática da viagem, que exige (muita) paciência, planejamento e sorte, por que não?
Bom, antes de mergulharmos no mundo burocrático, aqui vai uma novidade: não vamos mais para a bela Mongólia, já que lá ainda está MUITO frio e o local mais perto para tirar o visto está a milhares de distância de nós. Vamos para o Cazaquistão!
Bom, voltando, nossa suposta pedalada até Chengdu, capital da província de Sichuan, conhecida como a Londres chinesa (o que esperar disso senão chuva?) foi um fracasso! Partimos sob chuva, névoa e frio até chegarmos a Luzhou, onde tomamos a decisão de pegar um ônibus para Chengdu. Me convenci de ter tomado a decisão certa quando, durante as 4h de viagem, estava seca e confortável dentro do ônibus, enquanto chovia forte lá fora. Às vezes é preciso ceder e buscar alternativas!
Conhecemos Chengdu por meio das nossas andanças atrás de trem para Urumqi, em Xinjiang, próximo à Mongólia, Rússia e Cazaquistão! Para nosso desespero, as passagens de trem para os próximos DOZE dias tinham se esgotado e ainda não era possível comprar passagens para datas após esses doze dias. Como precisaremos de tempo em Urumqi para pegar o visto do Cazaquistão, não pudemos esperar tantos dias. Fomos atrás de alternativas: ônibus. Ok! Mas nem tudo foi tão fácil como parece, e como não!
Chegamos uma hora antes de o ônibus partir e achávamos que estávamos adiantadérrimos, mas descobrimos um tanto tarde que as coisas aqui na China são diferentes. O bagageiro do ônibus já estava lotado e todos os passageiros já se amontoavam próximo ao ônibus, já que (descobrimos isso também) os assentos não são fixos (apesar de haver o número do assento na passagem). Resumo da conversa, fomos transferidos para outro ônibus que, descobrimos tarde também (esse é o preço de não saber o idioma local: sempre o último a saber!), sairia somente no dia seguinte. Ainda meio perdidos e sem saber o que estava acontecendo, tivemos de confiar no povo da rodoviária (e olha que era muita gente) e deixar as bikes e boa parte da bagagem já dentro do bagageiro do ônibus.
No dia seguinte, pegamos o ônibus. Mas calma lá, pois essa história tem outro capítulo: as 48h de ônibus. Ficamos próximos à porta aguardando o motorista dar o ok para entrarmos no busão. Já estávamos esperando um empurra-empurra e foi o que aconteceu mesmo. Mas, por sorte, o motorista nos chamou para a frente da fila (afinal de contas, chegamos 24h antes da partida do ônibus!) e explicou em bom chinês as regras do ônibus. Entendemos apenas que teríamos de tirar o tênis e coloca-los no saco que ele nos entregou. Achamos justo, pois esqueci de falar, o ônibus não era um ônibus como você e eu conhece, mas sim um ônibus com camas. Maravilha, não? É, digamos que era bem pequena e se eu tivesse 10 cm a menos e o Marcos 20, caberíamos na cama e poderíamos sentar sem bater a cabeça na cama de cima.
Cada um que entrava no ônibus recebia seu saco para colocar o sapato, outro saco (que não recebemos e achamos que era para cuspir) e o motorista indicava seu assento: mulheres, idosos e crianças embaixo e homens em cima.
Nos encaixamos na cama e me senti em um foguete de tanto aperto. Olhamos para os quatro cantos do ônibus para ver onde era o banheiro (...). Sem banheiro! E sempre ficava a dúvida de quando seriam as paradas. Falando em paradas, elas foram uma coisa de doido! Umas com valas comuns com muretas separando uma pessoa da outra e o cheiro era esplêndido, imagine você! Outra parada foi no meio da estrada, em plena escuridão da madrugada, 0°C. Homens de um lado, mulheres de outro, sem frescura! E as paradas foram dessa forma. Levamos numa boa, tudo é experiência, mas é bom sempre ter papel higiênico, sabonete e álcool gel.
Mas nem tudo são espinhos e percorrer 3.000km de ônibus na China tem seu charme: as paisagens. Andamos metade da viagem indo totalmente para o Norte e a outra metade totalmente a Oeste. Acordamos e a paisagem era outra: em lugar ao verde, bege das montanhas arenosas indicando que estávamos próximos ao deserto. À medida que seguíamos, as montanhas mais altas mostravam-se cobertas de neve e logo estávamos nós no meio da neve. Cenário inédito para nós: deserto e neve! Ao longo do dia, não pregava o olho só vendo aquela paisagem totalmente nova. Ainda sim víamos sinais de agricultura e muitos pastores de ovelha. Os chineses dão um jeito de plantar em todo lugar! Para proteção contra o frio, eles constroem estufas com parede de barro. O mesmo eles fazem com as casas.



Essa região também é famosa pelas tempestades de areia e vimos muitas aberturas nas montanhas de arenosas, talvez um tipo de abrigo. Curioso foi que, nesta viagem, estivemos a 3.000m de altitude e a 60m abaixo do nível do mar!
Outra atração foi a diferença cultural. A partir de certo momento na viagem, as placas de sinalização da Rodovia em inglês e chinês deram lugar ao chinês e uyghur. Uyghur? Sim, a língua oficial da Região Autônoma Xinjiang Uyghur, onde estamos agora (sim, é China ainda), influenciada pelas línguas árabes e persa.
Bom, a língua não mudaria se o povo não fosse diferente. Já na rodoviária notamos que a feição dos passageiros era diferente, com traços parecidos com o do povo do Cazaquistão e Mongol.
Enfim, Urumqi, ou Wulumuqi (fala-se Ulumutchi), que significa belas pastagens, em uma língua mongol antiga! Há tempos monitorávamos a temperatura dessa isolada e gelada (no inverno) cidade e agora estamos nela! A cidade mais distante do oceano do mundo! Bom, o lado bom é que a partir dela, posso dizer que estaremos indo rumo ao mar!


Nossa estada em Wulumuqi tem sido exótica. Andando pelas ruas nos misturamos a muitas outras etnias, ouvimos diferentes línguas e vimoss comidas variadas. Castanhas e frutas secas das mais diversas: amêndoas, nozes, amendoim, pistache, castanha de caju, tâmaras, damasco, uvas, figo, e assim por diante! Os padeiros estão por toda parte, fazendo pães em formato de massa de pizza, com gergelim e ervas, em quentíssimos fornos a carvão mineral. Aliás, a cidade cheira carvão mineral, e é considerada uma das mais poluídas do mundo... detalhe!

  
Bom, esses estão sendo nossos dias gelados sem pedalada (somente indo para lá e para cá nas cidades). Pegamos neve, chuva, sol! Nesse meio tempo, estamos pesquisamos muito sobre os destinos futuros: Uzbequistão, Rússia, Azerbaijão?

Algumas cidades visitadas: Luzhou, Chengdu – Sichuan; Urumqi – Xinjiang Uyghur.

Curiosidades:
- Existe uma lei de trânsito que dá a preferência aos automóveis que viram à direita, mesmo que o sinal esteja verde para outros sentidos ou para os pedestres. Pura zona!
- Grande parte das crianças (1 – 3 anos) usa uma calça com um rasgo no bumbum. Não por acaso, vimos muitas delas fazendo necessidade no meio da calçada.
- Nas farmácias é muito comum a venda de ervas terapêuticas.
- Vimos muitas pessoas (especialmente os idosos) em parques e praças praticando Tai Chi e outras práticas não identificadas.

Dicas:
Visto do Cazaquistão: Pegamos o visto do Cazaquistão no Consulado em Urumqi. Fomos em uma quinta (15) à tarde (eles fecham entre 1 e 3 da tarde) e pediram para voltarmos no dia seguinte às 10h com os seguintes documentos: passaporte, uma foto, cópia do passaporte e do visto chinês e dois formulários distintos preenchidos. Falaram que levaria uma semana, mas devido ao Ano Novo (de 22 a 25/02/2012), ficaria pronto em 26 ou 27/03, sendo que nosso visto chinês expiraria no dia 27. Perguntei se poderiam emitir antes do feriado e consegui para o dia 19/03, ou seja, em dois dias úteis. Pegamos o passaporte, mas a data de entrada no Cazaquistão estava errada e devido ao feriado não tivemos tempo de modificar. O Consulado é um tanto bagunçado.

Trem: Certamente o melhor transporte para longas viagens na China: barato e confortável. Por esse motivo, as passagens não são fáceis de comprar. Compre o mais breve possível, lembrando de que não se pode comprar passagem com muita antecedência.
Em Chengdu, fomos a diversas agências de viagens e apenas uma delas vendia passagem de trem, mas a disponibilidade de passagem não era diferente da oferecida pelos escritórios de venda de bilhetes (espalhados pela cidade e na estação de trem).

Venda de passagens de trem: Em muitas cidades há pequenos escritórios de venda de passagem, onde há bem menos fila que nas estações em si. Há cobrança de 5 RMB (menos de 1USD) por passagem, o que vale a pena.

Ônibus de Chengdu para Urumqi: há um horário diário, às 16h. Um deles é comum, com bancos (700 RMB) e outro com camas (880 RMB) - mais 100 RMB por bicicleta. São três fileiras de beliches um tanto apertados. Não há banheiro no ônibus e as paradas não são das melhores, então não beba muita água, leve comida, sabonete e papel higiênico e aproveite as paisagens! São, aproximadamente, dois dias de viagem.

Telefone público: Não perca tempo buscando orelhões. Busque uma plaquinha com um telefone em locais como bancas e mercadinhos. Use e o valor aparecerá na telinha e pague ao dono do comércio. Simples assim!


 
Design by Wordpress Theme | Bloggerized by Free Blogger Templates | free samples without surveys